Por que as regras de atualizações do Android ainda não são suficientes

Google criou uma série de regras para fabricantes de smartphones que rodam Android, mas elas não beneficiam muitos usuários


Se há algo no Android que o Google quer desesperadamente consertar, são suas atualizações. Isso porque ao menos que o consumidor esteja comprando um telefone Pixel ou Android One, ele nunca tem certeza se vai receber as atualizações como estão disponíveis.

Segundo reportagem do The Verge, o mais recente contrato de parceiros do Android do Google inclui o idioma que exige atualizações de segurança por no mínimo dois anos, para que o OEM (sigla para Original Equipment Manufacturer) em questão perca a aprovação futura do telefone.

Isso tudo soa bem no papel, mas não é como se o Google estivesse jogando duro aqui. Os requisitos são tão leves que podem ser aplicados a um subconjunto relativamente pequeno de telefones:

1. Dispositivos lançados após 31 de janeiro de 2018;

2. Aplicar a telefones com pelo menos 100.000 ativações;

3. Estipular apenas atualizações de segurança trimestrais para o primeiro ano;

3. Não colocar nenhum mínimo em atualizações de segurança no segundo ano; e

4. Não fazer menção de atualizações de versão.

Para muitos usuários, as coisas não vão mudar muito. A Samsung já atualiza seus telefones com patches de segurança pelo menos quatro vezes por ano, assim como a Huawei, LG, Lenovo, Nokia, Sony e outras. Na verdade, para alguns telefones, atender aos requisitos mínimos do Google representaria menos atualizações, não mais.

Tomando o contrato em sua palavra literal, o Google requer apenas cinco atualizações ao longo de 24 meses. Isso significa que os telefones que estão lamentavelmente atrasados em patches de segurança provavelmente ainda ficarão para trás em relação a atualizações de segurança no ano que vem.

Por exemplo: se um telefone for lançado em 15 de janeiro de 2019 e atingir o acionador de ativação de 100.000. Em outubro do próximo ano, ele pode rodar o Android 8 Oreo com o patch de segurança de julho e, ainda assim, tecnicamente estar em total conformidade com o contrato do Google.

Há 12 atualizações de segurança por ano, então por que mandar apenas quatro? E as atualizações de versão? Cada nova versão do Android contém muitos recursos de segurança, desempenho e segurança dos quais todos os telefones Android podem se beneficiar, e não apenas a pequena porcentagem que tem a sorte de receber atualizações. Por que o Google não exige, então, que os telefones Android obtenham pelo menos uma atualização de versão do ponto de venda?

Mínimo comum

Agora, em seu terceiro telefone Pixel, o Google não promete apenas cinco atualizações em dois anos por conta própria, ele promete 36 atualizações de segurança ao longo de três anos, além de duas atualizações de versão completas. É claro que isso é demais para muitos OEMs menores, mas por que não uma atualização a cada meta de do ano? Ou aumentar o limite para telefones que vendem mais de um milhão de unidades?

O Google está em condições de fazer exigências muito mais rigorosas. Por exemplo, após uma decisão dos tribunais da União Europeia que proibiu a empresa de agregar o Google Chrome e outros aplicativos com licenças do Android, o Google começará a cobrar para incluir aplicativos essenciais, como a Play Store, na versão gratuita do Android. Se o Google puder cobrar até US$ 40 por dispositivo pelos mesmos aplicativos que costumava fornecer gratuitamente, certamente pode exigir seis atualizações de segurança irrelevantes por ano.

Quer dizer, não estamos falando de novos recursos ou revisões de interface do usuário aqui. As atualizações de segurança estão relacionadas ao patch do código já existente e não devem ser muito pesadas para os fabricantes implementarem. Se atualizações mensais são possíveis para telefones Android One, por que não outras? Segundo as próprias palavras do Google, “as atualizações em uma frequência de 90 dias representam um requisito mínimo de higiene de segurança”, mas o Google não deveria pedir mais do que o mínimo dos telefones que executam o sistema operacional?

 

via IDG Now!

Publicado por Carlos Trentini

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