Resultados financeiros do Facebook são positivos, mas acionistas se preocupam

Depois de um segundo trimestre desastroso, que fez com que as ações do Facebook perdessem 20% em valor, os investidores esperavam uma melhora nos números da empresa no terceiro trimestre. Mas, ainda que essa melhora tenha acontecido, ela ainda ficou abaixo das expectativas.

De acordo com os números mostrados no relatório divulgado hoje (30) pela companhia de Mark Zuckerberg, o terceiro trimestre de 2018 trouxe um aumento de 37 milhões de usuários mensais ao Facebook, alcançando um número de 2,27 bilhões de usuários que acessam o site pelo menos uma vez por mês, e 1,49 bilhão que o acessam diariamente. Apesar do crescimento, ele ainda ficou abaixo da expectativa dos acionistas (que era de 2,29 bilhões de usuários mensais e 1,51 bilhão de usuários diários) e, percentualmente, esse crescimento foi apenas um pouco maior do que o apresentado no primeiro trimestre de 2018, que teve a menor taxa de crescimento percentual da história da rede social.

Gráfico de usuários mensais do Facebook dos últimos 2 anos (Imagem: Facebook)

Mas os números mais preocupantes estão justo nas regiões mais lucrativas da empresa: EUA, Canadá e Europa. Nos países da América do Norte não houve crescimento durante o período, enquanto na Europa a empresa perdeu 1 milhão de usuários tanto nos números mensais quanto nos diários.

Essa estagnação, bem como o recuo, é preocupante porque essas regiões são responsáveis por 70% da receita da empresa, e a diferença de valores delas para o resto do mundo é tão absurda que perder usuários ali em prol de crescimento no resto do mundo não é uma troca que valha a pena para o Facebook. Enquanto cada usuário da região dos EUA e do Canadá gera para a empresa uma receita de U$ 27,61 (sendo de longe a maior receita por usuário da empresa), e na Europa esse valor é de U$ 8,82 por usuário, na Ásia ele é de apenas U$ 2,67, enquanto no resto do mundo ele despenca para U$ 1,82 por usuário.

Além disso, esse valor de receita por usuário, que já era o mais baixo de todos no resto do mundo, significou uma queda de 4% do valor anterior, o que quer dizer que, apesar do número de usuários nessa região ter aumentado, eles têm passado menos tempo dentro da rede social, o que implica na visualização de menos anúncios e em um rendimento cada vez menor para a empresa.

Gráfico de usuários diários dos últimos dois anos do Facebook (Info: Facebook)

Assim como a rede social, o Facebook Business também apresentou números abaixo da expectativa dos analistas, com um rendimento de U$ 13,73 bilhões — um pouco abaixo da expectativa de U$ 13,78 bilhões dos analistas. O relatório também apresentou um crescimento ano-a-ano de 33%, abaixo dos 49% do mesmo período no ano passado e pouco mais da metade dos 59% do terceiro trimestre de 2016. A empresa alega que perdeu U$ 159 milhões com a desvalorização de moedas estrangeiras frente ao valor do dólar, o que seria o suficiente para superar as expectativas de rendimento dos analistas, e revelou ainda que 92% da receita com anúncios da plataforma foi proveniente dos aplicativos para dispositivos móveis.

Apesar da queda dos números da rede social, o CEO Mark Zuckerberg foi rápido em tentar acalmar os ânimos, salientando que, apesar do número de usuários do Facebook estar caindo, a quantidade de usuários da “família” Facebook como um todo (Facebook, Messenger, Instagram e WhatsApp) tem aumentado, com 2,6 bilhões de usuários acessando mensalmente pelo menos um desses aplicativos.

Ainda assim, as ações da empresa vêm sendo constantemente bombardeadasd pelos diversos escândalos em que a companhia se meteu, como a interferência nas eleições dos EUA com a Cambridge Analytica ou a maior falha de segurança de sua história, que afetou milhares usuários no começo deste mês.

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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