Marcos Pontes aceita cargo de ministro da Ciência e Tecnologia

Cotado durante a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) como ministro da Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes publicou um vídeo em sua página do Facebook informando que vai compor a pasta. De acordo com o post, ele já conversou com o presidente eleito e “só falta oficializar” a nomeação.

Pontes disse ter ficado feliz de participar da campanha, muito embora tenha se mostrado distante do então candidato em vídeos em sua página do Facebook. “Bom, nunca teve um ministro de Ciência e Tecnologia, e com certeza, isso vai representar para a nossa região alguma coisa muito especial e para todo o Brasil também", disse no vídeo.

Pontes ainda ressaltou a importância de investimentos em setores de formação e pesquisa. “Educação, para formar cidadãos qualificados. Ciência para desenvolver ideias e soluções específicas para o Brasil. Tecnologia para transformar essas ideias em inovações que vão se transformar em novos produtos e vamos transformar em novas empresas, que vão criar novos empregos. Esse ciclo virtuoso é o que a gente quer criar aqui no Brasil e nós vamos criar", apontou em sua fala.

Esta não é a primeira vez que Pontes busca um cargo público. Em 2014, ele se candidatou como deputado federal pelo PSB, tendo recebido 0,21% dos votos em São Paulo.

Longe de ser um socialista convicto (apesar da filiação ao PSB), na época, Pontes tinha a proposta de fazer o Brasil voltar a olhar para a pesquisa espacial. Atualmente, Pontes é um dos incentivadores do turismo espacial em parceria com a Virgin. Contudo, sempre se mostrou interessado em buscar investimentos para desenvolvimento de satélites.

Pontes é tenente-coronel da FAB e astronauta. Em 2006, tornou-se o primeiro brasileiro a ir ao espaço em uma missão de dez dias a bordo da nave Soyuz TMA-8.

Ministério

Atualmente, o ministério do qual Pontes fará parte é o da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Por isso, em sua fala, disse que “nunca houve um ministro da Ciência e Tecnologia”, deixando a entender que órgão pode passar a ser desmembrado.

Este é um pedido de pesquisadores e cientistas, de que as comunicações sejam desvinculadas do ministério, uma vez que é um setor com mais capacidade de lobby e interesses comerciais. Embora fale apenas em ciência e tecnologia, sem citar inovação e comunicações, é improvável que Bolsonaro desmembre a instituição em duas.

Primeiro, porque isso exigiria a formação de mais um ministério, inchaço que o novo presidente eleito pretende evitar. Segundo, que as telecomunicações estão intimamente ligadas a projetos espaciais, por conta de lançamentos de satélites e negociações neste setor. Ou seja, a escolha de um ministro astronauta também pode ter como objetivo estreitar estas relações.

Pontes também deve enfrentar outro problema relacionado à pesquisa. Atualmente, entidades de fomento à pesquisa como a CAPES, Fapesp e o fundo de pesquisa Finep informaram que há um rombo no orçamento, que pode resultar em corte de bolsas e paralisação de pesquisas em todo o país no ano que vem.

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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