Análise | LEGO DC Super Villains traz peças novas para a construção de sempre

O brinquedo de LEGO nasceu com uma proposta simples: oferecer toda uma gama de peças a crianças para que tornem palpável a sua imaginação. No início, eram pequenos objetos aleatórios em um enorme balde, uma verdadeira “caixa de areia” de peças de plástico com que os pequenos podiam exercitar a criatividade. Com o tempo, a empresa passou a fazer parcerias e criar pacotes já sugestionados: era o castelo, o prédio já conhecido, o carrinho famoso. Em seguida começou a lançar peças com propriedades intelectuais de terceiros: vem a Millenium Falcon de Star Wars; o Castelo de Hogwarts, de Harry Potter; o Condado dos Hobbits, de Senhor dos Anéis. Tudo isso para dizer: a sugestão é inimiga da imaginação e criatividade.

É exatamente isso que acontece com LEGO nos games. Este novo título, DC Super Villains, se engessa na fórmula do que é toda produção da TT Games nos últimos 15 anos de jogos de LEGO.

Sempre que falo sobre esta série gosto de voltar à tecla: a desenvolvedora repete o mesmo jogo mais de uma vez por ano, o que não é necessariamente ruim, já que todos títulos são bastante polidos e muito bem criados. Não é diferente com DC Super Villains.

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Contudo, é preciso ser justo com a TT Games: eles se esforçaram para jogar uma pitada de diferença aqui. A começar pela narrativa.

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Ladrão que rouba ladrão

Esta é a primeira vez que o jogador é colocado em um game de LEGO sob a perspectiva dos vilões.

Em DC Super Villains, um novo grupo de “super-heróis” chega à Terra oriundos de um universo paralelo (a Terra 3) e tomam o lugar da Liga da Justiça original. Depois de dar um sumiço nos verdadeiros heróis, este novo grupo começa a mostrar que não é tão bem intencionado assim.

Assim, sob a ameaça de um mal maior, os vilões da DC, como Coringa, Arlequina, Lex Luthor e muitos outros, tentam provar que esta nova galera não é legal, não.

Focada no público infantil, a narrativa se mantém leve e inocente. Ou seja, dos bandidos que não são lá tão bandidos assim, não falam palavrão e fazem mais bagunça pela cidade do que realmente cometem crimes.

O texto segue muito divertido como sempre, com falas que mesclam tutorial e piadas que fazem do jogo um ambiente com pouco ou quase nenhum silêncio. De quebra, ouvir as vozes de dubladores conhecidos dos personagens também agrada muito aos ouvidos na versão em português brasileiro.

Quem sou eu?

Talvez a grande novidade de DC Super Villains seja o modo de criação de personagem. A ferramenta consegue alcançar um equilíbrio muito bom entre o quanto se pode modificar do seu boneco e o quanto isso é fácil de fazer.

Logo no ínicio do game, é possível criar desde a aparência, mudando cabeça, rosto, roupa braços, ou mesmo adicionando acessórios como capa e capacete, até personalidade, tipo de poder (raio, gelo, fogo, elétrico) e até velocidade (minha escolha foi de criar um velocista).

Modo de ciração é fácil e várias opções (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

O jogador também pode escolher cores e efeitos de todos poderes e golpes que seu personagem pode dar. Em suma, é um divertido processo de criação bastante complexo, mas suficientemente simples como LEGO sempre foi.

Esta, talvez, seja a parte mais interessante de DC Super Villains. Não só porque é o que há de efetivamente mais diferente aqui, mas também pelo fato de ser a essência do que LEGO é. Ou seja, a de soltar uma infinidade de pecinhas na mão do jogador e estimular a criatividade, aqui atrelado ainda à movimentação e efeitos. Ponto para a TT Games pela novidade.

Entretanto, toda essa liberdade tem um preço dentro de DC Super Villains. A começar pela falta de carisma que um personagem criado pelo jogador pode ter. Neste novo jogo, você é colocado entre o grupo de vilões e, como um boneco inédito, não tem fala.

Isso faz com que ele seja uma espécie de espectador-participante dentro da narrativa, muito embora poucas vezes efetivamente modifique algo nas cut scenes. Sem ter literalmente voz no game, fica de escanteio na história. Falha que é reconhecida até dentro da própria história criada aqui, quando Arlequina o chama de “Super Silêncio”. Em resumo, o efeito do herói silencioso é o mesmo já visto em outros jogos que permitem a mesma personalização, como Destiny 2.

Outro problema aqui é que nem sempre a criação se encaixa perfeitamente no universo de DC Super Villains, ocasionando alguns glitches e gráficos bizarros na gameplay. Por exemplo, em um dado momento seu personagem ganha o poder de se tornar gigante. Como eu havia escolhido também que meu carinha seria super-rápido, a mistura dos dois efeitos criou uma confusão em tela difícil de distinguir. Isso porque, ao crescer e ocupar mais da tela, a movimentação acelerada tira totalmente a referência da câmera e causa efeitos de ghosting (quando a visão do jogador passa “por dentro” do personagem) constantes.

A impressão que dá é de que faltou testar todas as possibilidades de gameplay com as ofertas de caracterização antes de colocar o jogo no mercado.

Diferentemente também dos outros games da série, aqui o seu personagem novo evolui com poderes durante a narrativa. A brincadeira é que uma das habilidades suas é conseguir absorver novos poderes de máquinas espalhadas pelo cenário. Assim, durante as fases, há um conjunto de pequenos aparelhos que mesclam seus átomos e adicionam essas novas habilidades (também customizáveis).

Essa mudança constante do game dá um respiro a mais no mar de repetições que é DC Super Villains, garantindo poucas, mas efetivas novidades durante a narrativa do jogo.

A depender como se forma o personagem, a câmera pode se tornar confusa na tela (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Para ver de novo

No mais, LEGO DC Super Villains recai sobre a fórmula já tão utilizada. A TT Games mantém o estilo de jogo que, por vezes, não explica muito bem o que o jogador precisa fazer e só o estimula a quebrar todo o cenário até que uma solução seja revelada. Ação que é repetida várias e várias vezes durantes a história e que pode ser considerada a base dos jogos da LEGO.

Ainda, ela também investiu mais uma vez em um mundo aberto. O jogador anda por cidades como Gotham, Smallville e Metropolis, passando por construções icônicas como o jornal Planeta Diário e o asilo Arkham.

Todos esses ambientes têm muito carisma, com um grande cuidado em criar um universo aparentemente decaído, tomado pelo crime, mas não o suficiente para assustar uma criança. Aqui, há a manutenção de um local mais bagunçado do que tomado por roubos.

O problema é que toda essa bagunça e quantidade de objetos em tela torna difícil entender o que está acontecendo e até mesmo se de localizar naquele espaço. A ambientação noturna ainda agrava isso, por conta do contraste de tons escuros dos prédios com luzes de fachadas e outdoors. Enfim, todas as localizadas se tornam muito bonitas de se observar de cima, mas são péssimas para se locomover entre elas sem uma direção muito bem definida.

Outra característica que se mantêm aqui é a abundância de personagens, que não são assim tão diferentes entre si. Com mais de uma centena de bonequinhos jogáveis, você vai perceber que todos são formados por uma variação de 10 a 15 golpes e efeitos diferentes. O resultado é que isso tira todo o aspecto carismático e único deles em prol de forçar um sentimento de colecionismo dentro do game.

Por fim, LEGO DC Super Villains traz um universo divertido, mas não parece arrumar os principais erros da séries: um ambiente confuso e a abundância de informações e ações que se repetem com pouca ou nenhuma diferenciação.

Sindicado da Justiça, versão evil dos heróis da DC (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Houve um avanço interessante em alguns quesitos, mas eles ainda são muito pontuais para dizer que este título é um ponto fora da linha da série. Assim, se você é um fã desta fórmula e quer saber como que seus principais personagens da DC ficaram em formato de LEGO, pode curtir esta aventura.

Se você está cansado da sequência de jogos iguais desta franquia, sinto dizer, não foi dessa vez que tudo mudou.

LEGO DC Super Villains foi desenvolvido pela TT Games e publicado pela Warner Bros. Interactive. O título foi lançado em 16 de outubro para PlayStation 4, Xbox One, PC e Nintendo Switch. No Canaltech, ele foi testado no PlayStation 4 com uma cópia gentilmente cedida pela Warner Bros.

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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