BGS 2018 | Perto do lançamento, Pokémon Let’s Go ainda nem parece um jogo

Desde que Pokémong Go se tornou uma das maiores febres mundiais, em 2016, muito se espera sobre qual será a nova empreitada da Nintendo com a série. Com um amplo número de usuários nos smartphones, a Big N agora quer transpor essa turminha para os consoles com Pokémon Let’s Go Eevee/Pikachu.

A companhia japonesa veio ao país para a Brasil Game Show 2018 (BGS) e trouxe uma demo curta do novo título para Switch, e o Canaltech pode colocar as mãos nela. Mas, antes, é preciso entender a estratégia da Nintendo para o que ela quer com os monstrinhos de bolso.

A Tríade

Em parceria com a The Pokémon Company, a fabricante japonesa já anunciou três games dos monstrinhos de bolso para este e os próximos anos. O primeiro foi Pokémon Quest, um título gratuito para smartphones e Switch, cuja ideia era dar um gosto casual ao que é a franquia.

A Nintendo sabe que jogar Pokémon não é simples para iniciantes, que chegam em um mar de bichinhos, cada um com suas particularidades, nuances e propostas. Logo, Quest tinha a função introdutória: por isso, simples e gratuito. O título foi lançado em maio deste ano e continua disponível em ambas plataformas, caso você queira testá-lo.

O segundo game desta nova fase é Pokémon Let’s Go, a tentativa de levar para os consoles a experiência da febre nos mobiles. Falaremos dele com mais calma mais adiante.

Em 2019, por fim, chega aquele Pokémon em formato RPG com todas as características clássicas que a Nintendo prometeu no Direct da E3 em 2017. Este deve ser o título voltado ao jogador mais fiel e hardcore da série. Ou seja, depois que novos gamers entraram na brincadeira e a turma do Pokémon Go já foi puxada para os consoles, aí a Nintendo pode, enfim, lançar seu título mais robusto.

Mobile no Console

Vamos falar, portanto de Pokémon Let’s Go. Antes de mais nada, é preciso ressaltar que a demo mostrada na BGS é muito, mas muito curta e ainda parecia em começo de desenvolvimento. Infelizmente, não era permitido tirar fotos nem da tela ou do controle especial em formato de Pokébola que a empresa disponibilizou para testes. Na BGS, foi possível testar ambas versões do título: com Eevee ou Pikachu. A única diferença entre eles, na demo, era somente o Pokémon que acompanha o jogador pela fase.

 

O teste colocou o jogador pela floresta de Veridian, teoricamente no começo do jogo. A primeira informação bastante estranha é que o game não terá batalhas entre Pokémon. Isto é, nada daquele clássico andar pelo matinho para encontrar um bichinho selvagem e começar uma batalha.

Em Let’s Go, alguns espécimes ficam pelo mapa e, quando você encosta neles, surge uma tela igual a de Pokémon Go para que você pegue o monstrinho simplesmente jogando a Pokébola ou outros itens, como doces.

Mas, então, não tem batalhas? Sim, existe um sistema de batalhas, mas apenas contra outros mestres. Na demo, lutamos contra uma treinadora genérica, sendo que o estilo de começar a batalha segue o mesmo das versões de portáteis. Você passa em linha reta na frente do personagem e ele encara a batalha.

Neste cenário de luta, o sistema é muito parecido com as versões de RPG ou de Pokémon Stadium, do Nintendo 64. Há uma lista de quatro golpes possíveis, um sistema de batalha em turnos, possibilidade de itens e troca de Pokémon na sua vez de jogar. Tudo muito simples como sempre foi.

Diferentemente do que acontece com Pokémon Go, aqui há um sistema de level e evolução dos monstrinhos. Mais curioso ainda é que, como não há batalhas contra outros Pokémon, toda vez que você captura um novo pela fase, toda sua equipe (até 6 personagens) ganha experiência.

Sistemoa de captura é semelhante a Pokémon Go (Foto: Divulgação/Nintendo)

Um contexto que não faz sentido nenhum, afinal, não há batalha antes da captura, mas inserida para que a mecânica de nível e evolução aconteça. Contudo, fica um gostinho amargo de solução fácil demais e preguiçosa.

Uma das diferenças mais claras de Let’s Go para outros títulos da franquia é que há muitos Pokémon em tela. É possível sempre liberar qualquer personagem que esteja na sua equipe para fora da Pokébola e observá-lo caminhar atrás de você, como Pikachu fazia em Pokémon Yellow.

Controle embolado

Nos testes da BGS, também foi possível colocar as mãos no controle especial para o game, chamada de Poké Ball Plus. O joystick funciona de forma bem simples. Às vezes, simples até demais.

Em um tamanho bastante reduzido, que permite entrar na mão até dos menores, há um analógico na parte da frente, o qual funciona também como o botão A. Já na parte de trás, há um B, para ser usado com o indicador. O conjunto tem também um sistema de vibração, além de luz de LED e caixa de som.

Tudo isso para dar a real sensação de que você está realmente lançando uma pokébola para pegar seu bichinho. Contudo, a sensação de tato e gameplay é bastante contrária ao sentimento estético que aquele item proporciona.

Controle é pequeno e exige polegar na traseira para apertar o botão B (Foto: Divulgação/Nintendo)

Pequeno na mão e com posições de botões em locais não usuais (como o B acionado com o indicador), o controle de Pokébola é mais um ornamento do que um joystick de verdade, dando ainda mais cara de jogo menor para Let’s Go. Veja bem, isso quer dizer ao jogador que será possível terminar Let’s Go usando apenas uma mão, já que a Pokébola não é feita para um conjunto na outra.

Confesso que a sensação de pequenez daquele objeto, atrelado ao quão a demo foi reduzida na BGS, criou um ar de que Let’s Go pode ser menor ainda que Quest, com mecânicas mais simples e até menos detalhes de gameplay.

A única mecânica realmente interessante deste controle é o sensor de movimento, usado para reconhecer o movimento de arremesso da Pokébola nos momentos de captura. Ainda, as luzes de LED também indicam se você pegou o Pokémon e as caixas de som emitem o som que o monstrinho faz dentro do objeto. Tudo para garantir uma imersão, mas que pode se perder pela falta de ergonomia, já qye uma boa jogatina de umas 4 ou 5 horas com aquela bola fechada na mão pode garantir umas boas dores.

Em resumo, o Poké Ball Plus deve ser um ítem bem exclusivo para fãs e jogadores de Let’s Go, mais como um enfeite que um controle em si para ser usado em outros títulos do Switch.

Vamos?

Pelo que foi mostrado na BGS, Let`s Go ainda está muito aquém do que um jogo da franquia pode oferecer. O problema é que, apesar da demo bastante reduzida, ainda não fica claro o que os desenvolvedores podem efetivamente melhorar ali.

Let’s Go não tem várias das vantagens de seu irmão dos mobiles, Pokémon Go. A primeira delas é a de ser gratuito. A segunda, de garantir a interação e mobilidade pela cidade que tanto importa a quem gosta de caçar Pokémon pela cidade.

Assim, Let’s Go tende a ser um mundo muito bonito, colorido e com cara da franquia. Contudo, falta propósito. Caçar os monstrinho a esmo, sem que haja batalha entre eles e seguir adiante não parece tão divertido a ponto de convencer que vale a repetição. O que ganha o jogador nessa versão, chamada de Let’s Go, talvez seja a exploração do mundo dos monstrinhos.

Pokémon acompanha jogador pelo cenário (Foto: Divulgação/Nintendo)

Pokémon Let’s Go está a um mês do lançamento e pouco ou quase nada convenceu na demo da BGS. Assim, é bem possível que os jogadores atuais de Pokémon Go, em sua melhor fase desde o lançamento de acordo com dados do SuperData Research, se mantenham mesmo apenas no mobile. Se assim for, este será um triste episódio para um tão sonhado jogo dos monstrinhos no console. Melhor esperar pelo RPG do ano que vem.

Pokémon Let’s Go Eevee/Pikachu está agendado para o Nintendo Switch para o dia 16 de novembro de 2018.

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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