NASA planeja enviar missão tripulada para o planeta Vênus

Vênus, o segundo planeta do Sistema Solar, é uma verdadeira estufa de gases tóxicos e corrosivos, tendo ainda uma pressão esmagadora em sua superfície. Mesmo assim, a NASA está planejando uma missão tripulada ao “planeta infernal”.

Na ficção científica de antigamente, Vênus era tido como uma espécie de paraíso, um planeta-irmão da Terra. Com a evolução da exploração espacial, esse conceito foi ladeira abaixo, com a então União Soviética enviando suas sondas Venera a partir dos anos 1960 e depois a NASA com a missão Magellan, que chegou lá em 1990, trazendo a má notícia de que Vênus é, na verdade, mais próximo do conceito de inferno do que de paraíso.

Primeira fotografia colorida de Vênus registrada pela humanidade, tirada pela sonda soviética Venera 13 em 1981 (Foto: Reprodução)

Ainda assim, a agência espacial dos Estados Unidos não desistiu de explorar nosso irmão espacial, por mais “ovelha negra” que ele seja. A missão High Altitude Venus Operational Concept (HAVOC) já está em fase de desenvolvimento e planeja uma missão tripulada para lá — onde as temperaturas superficiais ficam na casa dos 460 ºC, o que é maior do que o ponto de fusão de muitos metais, como o chumbo, por exemplo.

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A superfície de Vênus é composta por vastas planícies de rocha basáltica com características vulcânicas, entre regiões montanhosas, sendo, neste sentido, muito parecida com a da Terra. Geologicamente jovem, o planeta passa por eventos catastróficos e extremos causados pelo acúmulo de calor embaixo da superfície, que eventualmente faz com que terrenos se derretam, liberando calor para a superfície e se ressolidificando.

Foto de Vênus tirada pela sonda Magellan em 1990 (Foto: NASA)

Nenhuma previsão de lançamento foi divulgada ainda, mas a missão HAVOC, na verdade, quer usar a densa atmosfera venusiana como base de exploração, contando, inicialmente, com pequenas missões de teste antes de, efetivamente, enviar astronautas para Vênus. O plano, aqui, é desenvolver espaçonaves capazes de permanecer suspensas na atmosfera superior do planeta por longos períodos de tempo.

É que a atmosfera superior de Vênus é o local do planeta que é mais parecido com as condições da Terra, entre altitudes de 50 a 60 quilômetros. Ali, a pressão e a temperatura equivalem a regiões da baixa atmosfera do nosso planeta, permitindo que astronautas passem bem sem um traje especial de pressão. Essa parte da atmosfera venusiana também é densa o suficiente para proteger os astronautas da radiação ionizante do espaço, e a proximidade com o Sol fornece radiação solar ainda maior do que temos aqui na Terra — o que pode ser usado para gerar energia.

Então, a espaçonave “flutuaria” ao redor de Vênus, contando com a força do vento para se locomover. Gases respiráveis podem ser usados para proporcionar flutuabilidade, ainda por cima — o que significa economia gigantesca de energia para fazer a nave funcionar. E, com a tecnologia atual, já temos vários materiais comercialmente disponíveis, como teflon e tipos de plásticos, capazes de resistir à acidez do local, servindo, portanto, como um “envelope” externo para proteger o veículo.

Sendo assim, não é “coisa de louco” vislumbrar um projeto com reais possibilidades de sucesso em que astronautas “deem um rolê” ao redor de Vênus carregando apenas um suprimento de oxigênio em seus trajes.

Existe vida em Vênus?

Depois do balde de água fria de que não há vida em Marte (ainda que essa possibilidade, em proporções microbianas, não tenha sido completamente descartada), fica a questão: seria possível algum tipo de vida ter florescido e prosperado em um lugar tão extremo como Vênus?

Vênus já foi parecido com a Terra? Pode ser que sim!

Bom, a superfície do planeta foi mapeada por meio da missão Magellan, da NASA, que orbitou o planeta. Contudo, apenas alguns locais da superfície foram monitorados, e mesmo juntando com os dados das missões soviéticas Venera, ainda não se tem o planeta todo observado. E mais: as imagens obtidas por essas sondas (entre o final da década de 1960 e o início dos anos 1990) são as únicas que temos até hoje para estudar qualquer coisa relacionada a Vênus. Ou seja: já passou da hora de irmos para lá novamente.

Quanto à questão de haver algum tipo de vida por lá, deixando a ficção científica de lado (que chegou a imaginar que até mesmo dinossauros venusianos existiriam), vamos considerar o que sabemos com relação ao nosso próprio planeta: certos tipos de organismos extremófilos existem por aqui, capazes de suportar condições extremas de temperatura e pressão. Uma dessas espécies é o Acidanus infernus, encontrada em lagos vulcânicos altamente ácidos na Islândia e na Itália — em condições que podemos comparar com as de Vênus.

E, como Vênus já deve ter sido “gêmeo” da Terra em um passado longínquo, vale a pena estudá-lo com mais afinco a fim de descobrir, essencialmente, duas coisas: se já houve vida por lá, e se algum tipo de vida que possa ter existido foi capaz de sobreviver ao efeito estufa que o planeta gerou descontroladamente (sendo ele o responsável pelas condições catastróficas em que Vênus se encontra hoje, de maneira irreversível).

E por que investir tanto em Vênus? Bom, além da própria exploração espacial, cujo objetivo é desvendar os mistérios do Sistema Solar e descobrir mais sobre o espaço e, consequentemente, sobre o nosso próprio planeta, Vênus é um modelo de estudo perfeito para analisar as condições climáticas do nosso próprio planeta. Cientistas conseguem, com base no que observam em nosso vizinho, determinar com mais precisão como efeitos climáticos podem levar um planeta a mudanças drásticas e fatais, fornecendo meios de proteger a Terra contra os perigos do efeito estufa e, consequentemente, impedindo que nosso planeta se torne um “Vênus 2” em um futuro distante.

Fonte: The Conversation

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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