BGS 2018 | Mônica e a Guarda dos Coelhos exerce poder mágico sobre os pequenos

Não é de hoje que Maurício de Sousa sabe o poder de penetração dos jogos, sobretudo entre os mais novos. Também não é recente a ideia de que a Turma da Mônica ganharia sua versão de jogos já consagrados, apenas mudando os sprites dos personagens.

Na década de 90, ela fez isso ao menos duas vezes. A primeira foi com Mônica e Castelo do Dragão, feito em cima de Wonder Boy in the Monster Land, em 1991. Depois veio Turma da Mônica na Terra dos Monstros, uma adaptação do game para Mega Drive de Wonder Boy in the Monster World, em 1994.

Com as mesmas animações, menus e enredos, basicamente foram modificados personagens principais e armas. No caso de Wonder Boy, a espada foi trocada pelo coelho Sansão na mão da Mônica.

Nesta mesma linha histórica dos jogos da nossa mais querida dentuça, está Mônica e a Guarda dos Coelhos, um jogo desenvolvido pelo estúdio brasileiro Mad Mimic. Esse grupo de São Paulo colocou no mercado em 2017 para PC o No Heroes Here, um interessante título em que até 4 jogadores precisam proteger um castelo de uma invasão exterior. Mônica e a Guarda dos Coelhos é exatamente o mesmo jogo, mas com personagens e pequenas modificações características da Turma criada por Maurício de Sousa.

Tal qual o modelo de negócio experimentado na década de 90, este game é uma simples adaptação, mantendo todas as características de No Heroes Here, mas com Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e outros (aparentemente mais de 20 personagens) no lugar dos heróis genéricos do jogo original; e armas balas de canhão são substituídos por nada belicosos coelhos.

Compare você mesmo:

No Heroes Here:

 

Mônica e a Guarda dos Coelhos:

 

Em suma, Mônica e a Guarda dos Coelhos é um jogo bem mais amigável para toda família que a versão original (já bastante aceitável até para os pequenos). Contudo, esta pequena mudança de personagens pode dar um novo frescor e atenção ao que No Heroes Here ofereceu originalmente.

Sucesso para os pequenos

Uma nova demo do título estava disponível na Brasil Game Show 2018 (BGS), no estande da Microsoft. Ela aparecia rodeada de bons outros títulos do Xbox One, mas ainda mais rodeado de outros personagens constantes da feira: as crianças.

A experiência de testar Mônica e a Guarda dos Coelhos na BGS foi um misto de sensações. Primeiro, o cenário curioso de entrada na pequena, mas animada fila, composta por uns 90% de crianças no auge de (no máximo) seus 10 anos, juntos de um responsável. Os "outros 10%" da fila são este jornalista que vos escreve.

A cada vez que os organizadores do estande retiravam o controle de uma criança para deixar a fila fluir, uma sonora variação de “ah” com gosto de quero mais saia da boca de quem havia testado o game.

Só isso já mostra como a Turma da Mônica pode dar um novo respiro ao que é No Heroes Here, mesmo sem citar diretamente o título original. A força que aqueles personagens têm com os pequenos é algo impressionante e, ao mesmo tempo, cativante.

Criançada não tirou o olho da tela na BGS 2018 (Foto: Derek Keller/Canaltech)

Durante a fila de pouco mais de 20 minutos, pensamos em como aqueles pequenos poderiam lidar com toda a gameplay frenética de No Heroes Here. O jogo exige algumas sequências complexas, afinal.

Em resumo: um grupo de até 4 jogadores (apenas dois disponíveis na BGS ao mesmo tempo) precisa se organizar para evitar que invasores entrem no castelo. Para isso, precisam pegar matéria prima, preparar como pólvora ou balas de canhão (no caso, coelhos de canhão), levar até a arma, posicioná-la contra os invasores e, então, atirar. Em seguida, toda sequência começa novamente. Parecia complexo na mão de uma criança.

Contudo, quando chegou a minha vez, dividi o controle com um empolgado garotinho que queria ser, de qualquer jeito, a Mônica. Acompanhei o girl power e fui de Magali. Ele já tinha testado algumas vezes e sabia como funcionava tudo.

Perguntei se podia me ensinar. Foi aí que levantou do puff na frente da TV e começou a apontar a tela com empolgação. “Tem que pegar a bola ali, e bater ali, e colocar ali, e isso, e aquilo, e aquilo outro”, foi dizendo em uma só tomada de ar com a repetição anafórica típica das crianças.

Confesso que foi o tutorial mais fofo que já recebi na vida. Claro que eu já conhecia os comandos e o estilo da gameplay, mas queria saber como é No Heroes Here sob o olhar de um pequeno. Pintado de Turma da Mônica, me pareceu fascinante, mágico e até, veja bem, simples.

Seguimos eu e ele pouco coordenados, mas muito empolgados. Combinamos que eu faria pólvora e ele, coelhos. Tal qual No Heroes Here, aqui há variações de munição: o coelho azul causa dano; o amarelo, paralisa; e o roxo, cria uma gosma no chão que torna os inimigos mais lerdos.

“Só faz azul, tá?”, disse meu amigo de controle. Ali, percebi onde moraria a complexidade do game. Para ele, tanto coelhos amarelos ou roxo de nada serviam, já que não eliminavam os adversários.

Aqui, vale também ressaltar como No Heroes Here faz um trabalho magnífico em abusar da linguagem não verbal para explicar os comandos, o que é emprestado para o jogo irmão Mônica e a Guarda dos Coelhos. Optando por evitar muitas palavras, o título abusa de signos e desenhos para dizer o que o jogador precisa fazer. Um prato cheio para o entendimento dos pequenos.

Para além do original

Em suma, se você quiser saber mais sobre o que é Mônica e a Guarda dos Coelhos, sugiro que veja nossa review sobre o jogo original: No Heroes Here. Lá, você vai ver todas as mecânicas e o que o game tem a oferecer.

Se está pensando em pegar para jogar em família, este pode ser o título perfeito para conquistar os pequenos pela fofura e ainda introduzi-los no universo de Maurício de Sousa.

Contudo, em termos de indústria dos games, fica aquele sentimento de que Turma da Mônica efetivamente merece um jogo para chamar de seu, com mecânicas e narrativas originais.

No fim, tais quais as versões do passado, Mônica e a Guarda dos Coelhos poderia ser "muito que bem" um barato DLC, ou até mod de No Heroes Here.

O game ainda não tem data de lançamento, mas deve chegar ainda este ano para PC, Mac, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch. Ele é desenvolvido pela Mad Mimic e publicado em parceria com a Maurício de Sousa Produções.

Fica aqui o agradecimento a Joaquim, com quem dividi a missão de defender o castelo neste jogo da Mônica. Obrigado por fazer a minha experiência na BGS muito mais mágica do que poderia ser!

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

Eu, eu mesmo e eu, agora e nas horas vagas...

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