Battlefield V não é sobre a guerra, mas sim sobre pessoas e suas histórias

Um pouco antes da Brasil Game Show 2018 ter início e agitar as vidas do público e da imprensa especializada na última semana, o Canaltech foi convidado pela Nvidia para testar, a portas fechadas, a campanha single player de Battlefield V. Conferimos de perto o modo Histórias de Guerra em computadores da Rawar equipados com as novas e poderosas placas GeForce RTX.

Estavam disponíveis o Prólogo e os capítulos Nordlys, Under No Flag, Tirailleur e The Last Tiger. O prólogo é, como o próprio nome diz, uma introdução do single player e das fantásticas histórias que os jogadores irão presenciar.

Já em Nordlys, os jogadores controlarão uma jovem combatente em meio a ocupação alemã na Noruega em 1943. Ela está lutando não apenas para salvar seu país, mas também sua família. Já em Under No Flag, o foco está em um suposto criminoso britânico que será incumbido de destruir bases aéreas alemãs no norte da África.

 

O capítulo intitulado Tirailleur, por sua vez, trará uma infantaria senegalesa das Forças Coloniais Francesas para a batalha de libertação da França; enquanto que o desfecho, The Last Tiger — nome retirado do tanque que é considerado o “Spitfire” do asfalto —, mostrará o ponto de vista alemão da história, com uma tripulação em um tanque de guerra se questionando, próximo ao fim da Segunda Guerra, o que os levou até aquele ponto.

Com exceção de The Last Tiger, todos os demais capítulos podiam ser testados na ocasião e capturas de tela estavam sendo liberadas em determinados momentos da jogatina. E o que podemos dizer de toda a experiência, caso ela precisasse ser resumida em poucas palavras, é que o jogo está incrivelmente realista e manterá os jogadores vidrados nas histórias e nos personagens que apresenta.

Sobre histórias, experiências e sentimentos

Quem joga pouco ou sequer experimentou algum game da série Battlefield antes, limitando-se apenas a acompanhar de maneira leviana as notícias e vídeos que saem, pode criar um pensamento precipitado sobre os jogos, e especialmente sobre Battlefield V. Este é definitivamente um título que as pessoas precisam testar para sentir e entender como ele retrata com sensibilidade a vida humana em meio à guerra.

(Imagem: EA DICE)

Tudo no Histórias de Guerra de Battlefield V, na verdade, parece ter esse toque humanista. Após os testes, o Canaltech conversou com um dos produtores dos games que vieram ao Brasil para promover a campanha single-player: Eric Holmes, Design Director da DICE. Na apresentação pré-demonstração, ele já havia direcionado um pouco do que os jogadores podem esperar.

Os momentos Battlefield, a iniciativa para que cada um jogue do seu jeito, as histórias que agora serão mais desafiadoras, diversificadas e focadas em pontos de vistas nunca antes abordados, e uma Segunda Guerra Mundial contada a partir das histórias pessoais de vários protagonistas diferentes tornam tudo mais dinâmico e abrangente.

Na entrevista, aproveitamos para questionar algo que Eric havia dito na apresentação pré-testes: a localização. Battlefield V será apenas legendado em português, e, durante todas as Histórias de Guerra, teremos personagens de diferentes países. O designer nos explicou que os diálogos serão todos no idioma nativo, o que significa que não haverá dublagem somente em uma língua. Se estivermos na Noruega, todos falarão norueguês e as legendas traduzirão o que os personagens estão dizendo. O mesmo vale para França, Alemanha e assim por diante.

(Imagem: EA DICE)

“Por quê?”, perguntamos. Afinal, poderia ter muitas reclamações por parte da comunidade de jogadores. E a resposta foi muito clara e honesta: “Não parecia certo”. Eric nos contou que eles contrataram muitos atores e atrizes dos países onde as histórias se passam: Noruega, Alemanha, França… “É desse jeito que queremos (…) Sentimos que era a maneira mais autêntica de retratar [as histórias] e foi muito bom”.

Eric também complementou que o sentimento é o que eles mais tentaram passar, preocupando-se também em não colocar muita informação durante os diálogos, pois a equipe de desenvolvimento entende que o jogador precisará prestar atenção não apenas na cena, mas também nos textos das legendas. “Você não vai ouvir e ler o que significa, mas sim ouvir e sentir o que o personagem quer passar”.

E para quem ainda não está convencido sobre o assunto, Eric também deu um argumento muito bom, usando a Netflix de exemplo, comentando sobre quando ele assistiu à série Dark. O show é alemão e se passa na Alemanha, passando um ar autêntico sobre sua localização, mitologia e personagens – algo diferente, e que a equipe de desenvolvimento de Battlefield V também estava buscando. “Então acho que apostamos [na localização nativa] com base na nossa coragem e nos sentimentos que queríamos passar”.

(Imagem: EA DICE)

Drama, desafios e legado

Pelo que jogamos de Battlefield V no single player, deu pra sentir toda a emoção que as Histórias da Guerra querem passar. Eric explicou que o jogo está, de fato, bastante dramático. Alguns dos temas-chave que o time de desenvolvimento quis abordar são a culpa e o medo, bem como ação e consequência; o que torna o título talvez até mais pesado do que o Battlefield 1 no aspecto narrativo.

E, bem, se estamos falando de Segunda Guerra Mundial, é praticamente impossível não lembrar de uma figura recorrente. Nas aulas de História, e ainda hoje, todos falam bastante dele devido a seus atos terríveis e o legado que deixou: Adolf Hitler. Felizmente, e de maneira surpreendente, as Histórias da Guerra não são sobre a morte dele.

Battlefield V trata de histórias de pessoas que estiveram na guerra. “Foi um desafio interessante, pois nós tentamos nem mencioná-lo”, revelou Eric durante o bate-papo. “Quando você começa a falar de Hitler, ele toma rapidamente toda a conversa. Nós não exploramos a Segunda Guerra Mundial como se fosse um mapa numa aula, [as histórias] são sobre as pessoas que fizeram parte desse mapa”.

(Imagem: Derek Keller/Canaltech)

Também perguntamos se Eric acreditava que first person shooters (FPS) baseados em segmentos históricos, mas com foco em histórias pessoais, tais como Battlefield 1 e Battlefield V estão fazendo, seriam uma tendência a partir de agora. Surpreso com a pergunta e por nunca ter pensado dessa forma, ele citou Call of Duty, que está apostando mais em histórias focadas em ficção científica futurista ultimamente, comentando ter gostado do que o game apresentou nos últimos títulos.

Contudo, “tudo que alguém usa e dá certo, acaba se tornando um padrão”. O designer citou Halo como exemplo, pois quando o jogo saiu em 2001 e começou a usar o sistema de regeneração de saúde (que recupera pontos de vida do personagem caso ele não leve mais nenhum dano por um tempo), todos começaram a usar o mesmo recurso nos demais FPS que saíram.

(Imagem: EA DICE)

#PlayLikeAGirl

Battlefield V também esteve presente na Brasil Game Show 2018 no estande da Nvidia e da Rawar. O local era um dos mais cheios da feira, mesmo quando não haviam convidados testando o jogo. Afinal, todos queriam experimentar um pouco do mais novo título rodando em placas RTX. Ao todo, haviam 64 estações no evento para que o público jogasse a campanha multiplayer em um servidor fechado.

O Canaltech também teve a oportunidade de testar o game na feira jogando simultaneamente com mais de 60 pessoas. E não apenas ao lado de visitantes comuns, experimentando o poderio gráfico em tempo real das RTX rodando a pleno vapor, como também ao lado de outras garotas do meio dos games.

A iniciativa #PlayLikeAGirl aconteceu nos dias 12 e 13 de outubro na BGS 2018, reunindo 64 meninas para jogar em times adversários em Battlefield V. A narração também foi feita por uma mulher, e, na ocasião, o Canaltech pôde conhecer e se conectar com diversas outras figuras femininas que mandam super bem no controle de soldados em plena Segunda Guerra Mundial.

Além do prestígio às jogadoras e o reconhecimento à força feminina nos games, deu para testar pela segunda vez como o jogo está rodando pleno nas máquinas equipadas com a placa RTX. O realismo e os efeitos especiais são de cair o queixo, sendo esse um dos grandes méritos do título em sua versão para PCs.

Inclusive, mesmo em meio à feira, com milhares de outras pessoas e ainda o servidor com as 64 garotas jogando simultaneamente, tudo rodou perfeitamente. Em questão de gameplay, vale ressaltar que o trabalho em equipe é tudo. As classes foram reimaginadas em Battlefield V, o que significa que o básico está lá, mas o jogador agora pode personalizar as habilidades de cada tipo de personagem.

Das classes que tínhamos disponíveis para jogar estavam Assault, que é basicamente a linha de frente da equipe; Medic, que, como o nome diz, dá suporte médico básico, o que significa que, enquanto outros membros da equipe podem apenas reviver companheiros caídos com uma quantidade significativa de energia, os médicos conseguem fazer isso com a equipe toda e trazê-los de volta com saúde total. Há também os Support, que reabastece os colegas do time com munição e explosivos; e Recon, que são basicamente os snipers, responsáveis por reconhecer o campo e encontrar os médicos.

 

Além disso, vale apontar que Battlefield V talvez seja o jogo mais interativo da franquia, onde o jogador precisa realmente fazer tudo manualmente, seja no modo single player ou no multiplayer. Existem diversos modos de jogos novos que gostaríamos de ter testado, mas eles, infelizmente, não eram o foco da experiência na Brasil Game Show 2018. Contudo, se vale de algo, o game será lançado em breve, em 20 de novembro, PC, Xbox One e PlayStation 4.

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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