BGS 2018 | The Division 2 está maior e mais detalhado, apesar de repetir erros

A Black Friday é um dos momentos de maior circulação de dinheiro entre a população americana. Soa como a oportunidade perfeita para espalhar rapidamente a chamada Febre do Dólar, que transformou Nova York em uma cidade sitiada, mas não capaz de conter sua disseminação. O vírus foi adiante e nem mesmo uma das capitais mais importantes do mundo conseguiu resistir. A sociedade não está mais à beira do colapso, ela já caiu. Mas alguns agentes ainda lutam para restabelecer a ordem e a paz nos Estados Unidos.

Em The Division 2 as apostas são maiores, e os desafios, também. Sete meses depois da infecção inicial, muito mudou. A natureza começou a tomar de volta o que já era seu desde sempre, enquanto bandidos tomam conta de pontos, antes, recheados de vida. Se o caos inicial já era desesperador o bastante, imagine o que vem pela frente. Felizmente, o jogador que encara esse desafio está fortemente armado.

Durante a Brasil Game Show 2018, a Ubisoft deu aos jogadores uma palhinha do que esperar de The Division 2. Disponível no estande da Microsoft, o título que chega apenas em 2019 veio para mostrar que a ótima ação cooperativa de sempre está de volta, agora em um cenário muito maior, vasto e variado, mas que ainda inclui alguns cacoetes e problemas de um passado recente. Agora, porém, mesmo estes parecem estar mais justificados.

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Na demonstração, jogávamos em quatro pessoas, cada um com uma classe de personagem diferente. Isso limitava os visitantes em termos de itens especiais e habilidades próprias, mas não em armamento, uma vez que todo o inventário de equipamentos estava disponível para facilitar a missão de dominar o que restou de um aeroporto, tomado por uma facção paramilitar rival. Em algumas sessões, um representante da Ubisoft se unia à ação, participando do tiroteio e comandando a equipe por meio dos headsets instalados nas unidades do Xbox One disponíveis ao público.

Quem jogou o primeiro The Division logo se impressionou com o nível de detalhes. A troca do labirinto de prédios e ruas cercadas de arranha-céus de Nova York pelas áreas abertas e diversificadas de Washington surte seu efeito, principalmente no conjunto gráfico. The Division 2 é impressionante, tanto quanto visto de perto, nos detalhes, quanto de longe, com o tiroteio rolando sob a visão distante de um grande monumento do que, antes, era o centro político do mundo.

Passar essa credibilidade e realismo foi um dos focos da equipe de desenvolvimento do game. Como contou Cloé Hammoud, pesquisadora de franquias da Ubisoft, a equipe viajou até a capital americana para tirar fotos, visitar locações e, principalmente, falar com as pessoas, não apenas policiais, militares e outros especialistas, mas também pessoas comuns, sobre como uma catástrofe desse tipo atingiria a capital americana e de que maneira suas vidas seriam modificadas por isso.

Cenários que contam uma história desoladora são uma das marcas de The Division 2 (Imagem: Divulgação/Ubisoft)

“O cenário está contando uma história e é um dos motores da narrativa”, explicou Hammoud em entrevista ao Canaltech. “Trabalhamos de diferentes formas para trazer credibilidade ao jogo, principalmente em como Washington reagiria a um vírus dessa natureza. Onde estão os hospitais? Onde seriam colocados os bloqueios e as zonas de quarentena? Como a população responderia ao incidente?”.

A resposta desta última pergunta, pelo menos, aparece em forma de balas, pólvora e violência. Durante o incidente de Nova York, o presidente e demais representantes do povo foram evacuados. Quando a Febre do Dólar chegou a Washington, as pessoas estavam mais preparadas, mas a recíproca também era verdadeira, e aqueles motivados pela mudança no balanço de poder também tinham mais tempo para se armarem e tentarem impor sua nova versão de capital por meio da mão mais pesada possível.

Ao serem ativados, os agentes de The Division 2 se unem a milícias locais e, durante a demo exibida na BGS 2018, era possível chamar alguns deles, controlados pelo computador, para auxiliarem nos combates. A força inimiga, entretanto, é bem mais poderosa e esses NPCs rapidamente caem por terra. Felizmente, temos um grande arsenal e tecnologia à disposição.

O game continua difícil, mais pelos inimigos esponja de balas do que pelo desafio de The Division 2 em si (Imagem: Divulgação/Ubisoft)

Não há espaço, por outro lado, para a precisão e ataques letais. The Division 2 é um RPG de ação e, como tal, a energia dos inimigos e também o poder de dano deles são atrelados às armas e níveis dos próprios e também dos aliados. O resultado é o retorno dos soldados esponjas de bala do primeiro, que levam tiros de metralhadora pesada na testa mas não caem no chão. Felizmente, quando atingidos por chumbo grosso, eles reagem corporalmente, o que torna as coisas um pouco melhores.

É uma faca de dois gumes, entretanto, já que, em prol do estilo, temos a volta de combates mais truncados. Mesmo bombas ou escopetas no peito não são capazes de frear o avanço de um oponente do estilo tanque, por exemplo, em uma escolha que, mais uma vez, deve dividir os jogadores e deixar para lá aqueles que preferem uma ação efetivamente realista, como o restante do cenário de The Division 2 faz questão de demonstrar.

De perto e de longe

Os ambientes do título respiram vida, mas não apenas humana. Como dito, já se passaram sete meses desde a disseminação inicial da Febre do Dólar e a natureza está recuperando seu espaço. Em meio ao tiroteio e às áreas de quarentena, é possível encontrar animais selvagens ou se ver em biomas diferentes, quando a falta de manutenção de um zoológico o transformou em uma mata muito mais fechada do que seus visitantes originais gostariam.

Variação de cenários confere mais dinamismo às missões de The Division 2 (Imagem: Divulgação/Ubisoft)

De acordo com a pesquisadora da Ubisoft, The Division 2 traz seis ambientes bem diferentes, que variam entre zonas residenciais e comerciais até florestas e descampados, além, é claro, dos monumentos e prédios clássicos, com séculos de história para contar. São aspectos diferentes que, de acordo com Hammoud, tornam a narrativa mais rica e dão a impressão de que muito mais aconteceu ali do que apenas os combates protagonizados pelo jogador.

Ao realizar esse trabalho, inclusive, a equipe encontrou suspeitas e até mesmo olhares tortos de autoridades e oficiais. Afinal de contas, perguntar como alguém reagiria se um vírus transformasse Washington em uma região sitiada ou onde seriam colocados bloqueios policiais em caso de uma catástrofe não soa como algo muito adequado na cidade que abriga o presidente dos Estados Unidos. “Washington foi uma cidade difícil de se pesquisar, por conta de seu tema, mas também representou um desafio à parte. Ficava tudo bem quando dizíamos que estávamos trabalhando em um jogo”, explicou.

Essa passagem de tempo também justifica o retorno de outro ponto considerado negativo no primeiro jogo da série. A ausência de veículos significava que o jogador teria que andar as dezenas de quilômetros quadrados do título a pé, algo que, para Hammoud, fica mais claro nesta sequência pelo andamento da devastação. “Isso está ligado à lógica do jogo. Já se passaram sete meses desde a crise, não há mais gasolina nem espaço para andar de carro. Por isso, foi importante manter essa decisão [do primeiro título].”

Cada classe de The Division 2 tem suas peculiaridades, mas na BGS 2018, todas as armas estavam liberadas (Imagem: Divulgação/Ubisoft)

Apesar disso, as longas andanças serão justificadas pela já citada diferença de ambientação, com diferentes histórias sendo contadas em cada local. A variedade tornou Washington uma escolha certa para The Division 2, apesar de a equipe da Ubisoft ter pesquisado outras cidades. Ao todo, foram dois anos de trabalho para chegarmos à reprodução que vimos brevemente na BGS 2018.

Hammoud não falou em zonas rurais ou novos rumos para os quais a série The Division pode seguir, mas disse que os jogadores podem esperar por novidades, principalmente quando falamos da Dark Zone, a área PvP do título. Afinal de contas, estamos em Washington, a capital dos EUA e casa do presidente e do Serviço Secreto. Isso também se traduz em armamento pesado, tecnologia e, acima de tudo, muito aparato de segurança, o que deve guardar algumas surpresinhas.

A pesquisadora afirma, ainda, que a nova zona está mais alinhada com a vontade dos jogadores e o desenvolvimento feito durante o ciclo de vida do primeiro. O objetivo, segundo ela, é uma experiência mais balanceada e divertida. Se o jogo original era promissor, este segundo parece ainda mais, apesar da insistência em alguns conceitos não tão legais assim.

The Division 2 chega em 15 de março de 2019 para PlayStation 4, Xbox One e PC.

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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