Grindr envia alerta para usuários redobrarem segurança durante as eleições

A polarização exacerbada pelo atual período de eleições presidenciais atingiu os apps de relacionamento: segundo diversos relatos de usuários, o app de relacionamentos voltado ao público LGBTQ Grindr vem emitindo, desde quarta-feira (10), mensagens de alerta por meio de notificações nos smartphones em que está instalado, rogando que seus usuários redobrem a atenção e tomem medidas de segurança frente a diversos relatos de violência ocorridos desde a última semana.

Além do alerta exibido logo na inicialização do app, o Grindr pede para que os usuários evitem publicar fotos de rosto ou de dados de identificação direta, não marcar encontros com pessoas fora do seu círculo de conhecidos e que usem “imagens que representem eles mesmo de uma maneira diferente, como uma relacionada a seus hobbies ou personalidade”.

Falando ao site Universa, o publicitário Thales Albuquerque reconhece a necessidade do cuidado extra, porém não gostou da ideia de ter que “se esconder”: “Achei péssima a recomendação de não mostrar mais o rosto. Não vamos nos esconder, e muito menos deixar de existir. Mais do que nunca, é o momento de mostrar a cara, pois não vamos voltar pro armário”. O Canaltech buscou contato com o time responsável pelo Grindr no Brasil e atualizará esta nota assim que tiver um posicionamento oficial.

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(Imagem: Reprodução/Universa)
(Imagem: Reprodução/Universa)

Polarização eleitoreira

Desde a reta final do primeiro turno até as votações de domingo (7) e persistentes até hoje, foram registrados diversos casos de violência oriunda da polarização política: os candidatos à Presidência da República, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) foram para o segundo turno, ao passo que várias cidades registraram ataques de supostos militantes.

De acordo com a agência de jornalismo investigativo Publica, foram registrados, nos últimos 10 dias, 71 ataques em todo o país. Segundo o levantamento da agência, que conta com parceria estatística da Open Knowledge Brasil, a maior parte dos ataques foi executado por simpatizantes do candidato da direita e ex-capitão do Exército, Jair Bolsonaro contra militantes e eleitores de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo.

Trocando em miúdos: foram 50 agressões em que os culpados foram identificados como favoráveis a Bolsonaro, 6 agressões onde os culpados foram identificados como simpatizantes de Haddad, e 15 onde o motivo ou afiliação política não puderam ser aferidos.

Levantamento mostra 71 casos de violência e agressão nos últimos 10 dias (Gráfico: Agência Publica/Open Knowledge Brasil)

Em Belo Horizonte, a jovem transsexual Guilderth Andrade, conhecida como “Guil”, foi agredida por simpatizantes em uma manifestação pró-Bolsonaro. Guil estava em um ponto de ônibus aguardando o transporte, quando um dos manifestantes colou em seu peito um adesivo de apoio ao candidato do PSL. A jovem arrancou-o, pedindo respeito e avisando ao manifestante que não votaria no político da direita. O mesmo manifestante, com um tapa mais forte, colou outro adesivo em suas costas e, ao tentar arrancá-lo, Guil foi derrubada com uma rasteira.

Na mesma cidade, Isabela (nome fictício a pedido da vítima em conversa com a Publica, por temer represálias) é amiga de Guil, também é transsexual e relata caso de agressão. Quatro homens vestindo camisetas de apoio ao candidato do PSL a puxaram para dentro de um carro e bateram nela com socos no rosto e peito, a todo tempo exibindo também armas e ameaças, proferindo ofensas de baixo calão. Isabela ainda conta que ouviu de um deles que, “quando ele [Bolsonaro] ganhar, vamos poder caçar mais macacos. A gente só não te mata agora, traveco, porque você ainda tem jeito. Mas se não tomar jeito, vai morrer de Aids”.

Moa do Katendê, assassinado a facadas por discussão política em Salvador (Foto: acervo pessoal)

Dos casos de maior repercussão na imprensa, estão o assassinato do mestre capoeirista Romualdo Rosário da Costa, conhecido na região central de Salvador, Bahia, como “Moa do Katendê. A vítima estava com parentes e amigos em um bar local quando, por discussão política, foi esfaqueado 12 vezes pelo barbeiro Paulo Sergio Ferreira de Santana. A discussão política estava entre Moa e seus familiares, quando Paulo supostamente intrometeu-se no diálogo, exaltando Jair Bolsonaro. A situação escalou e os dois homens discutiram entre si, minutos antes de Paulo matar Romualdo.

Em São Paulo, na região do Jardim Coimbra, a Polícia Militar é acusada de truculência em favor ao candidato do PSL: a cozinheira e doula Luisa Alencar relatou uma abordagem da PM quando ela fazia um estêncil com os dizeres “#EleNão” em uma parede. Na ocasião, os policiais a derrubaram no chão, ofenderam-na com termos de baixo calão e, em seguida, levaram-na à delegacia, onde ela foi trancada, nua, em uma cela, durante pouco mais de três horas. Ela disse que só foi liberada depois de, obrigada e a contragosto, dizer “Ele sim” a um dos policiais.

Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT): ambos os candidatos à presidência repudiaram as ações de violência dos ultimos 10 dias (Fotos: Paulo Whitaker e Amanda Perobelli/Reuters)

Ambos os candidatos repudiaram recentemente os casos de violência: Fernando Haddad disse que, junto de seu partido, está “conversando com todas as forças que queiram conter a barbárie, que está em escalada no país. Nós temos que botar um fim nessa violência. É demais o que está acontecendo. Estamos recebendo mensagem de atos de violência em todo o país, alguns chegam à imprensa, outros não, além da continuidade das mentiras pelo WhatsApp e pelo Facebook. Isso precisa parar. Violência não se responde com violência”.

Jair Bolsonaro, em texto publicado nas redes sociais, disse: “Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”. O candidato ainda disse que lamenta as situações de violência ocorrida, mas que não pode ser responsabilizado “pelas ações de milhares pessoas”.

Fonte: Universa; Agência Pública; G1

via Canaltech

Publicado por Carlos Trentini

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