Rede social que abriga discursos radicais abre processo contra o Google

A rede social Gab está processando o Google por empregar práticas anticompetitivas depois que a empresa retirou o seu aplicativo da Play Store.

Lançada por Andrew Torba em meados do ano passado, a Gab se propõe a ser uma alternativa a redes populares como Facebook e Twitter, que têm regras de convivência e políticas de postagens. Por isso, ganhou status de plataforma de liberdade de expressão.

Seu modo de uso é semelhante ao Twitter, só que na Gab é possível escrever posts de até 300 caracteres.

O problema é que esse perfil acabou atraindo radicais de direita, da chamada alt-right, que formam uma nova força política. Junto, vieram os supremacistas, que na Gab podem compartilhar seus pontos de vista sem medo de serem banidos.

Em agosto, a Gab disse que o Google havia banido seu aplicativo para Android da Play Store. A justificativa da empresa foi que a rede social "viola a política de discurso de ódio". O aplicativo não tem versão para iOS, portanto, para usá-lo, é preciso acessar pelo desktop.

Em comunicado, o Google diz que, para um app de rede social estar na Play Store, "precisa demonstrar um nível de moderação suficiente, incluindo sobre conteúdo que encoraje a violência e dissemine o discurso de ódio".

Posição firme

Agora, os advogados da Gab alegam que o Google está violando a lei antitruste ao não permitir que a plataforma apareça na Play Store. O Google respondeu a essa posição com firmeza. Segundo um porta-voz da empresa, "a afirmação da Gab é sem fundamento e estamos felizes em defender nossa decisão no tribunal, se necessário".

O app da Gab estava disponível na loja até agosto e saiu do ar alguns dias depois que o Google demitiu o engenheiro que havia circulado um memorando controverso, com declarações sexistas. Já a Apple rejeitou a Gab em 2016.

O processo de 40 páginas atira para várias questões, não apenas à lei antitruste. Na ação, a Gab afirma que quer conduzir uma "cruzada ideológica contra a hipocrisia do Vale do Silício e a correção política". Andrew Torba, em texto publicado no Medium, declarou guerra ao Google.

via Canaltech

Deixe uma resposta