Tesla leva culpa em acidente fatal envolvendo carro autônomo na Flórida

As investigações sobre um acidente ocorrido na Flórida, em 2016, que envolveu um carro autônomo da Tesla concluíram que as prováveis causas foram erro do motorista e excesso de velocidade. Mas o Conselho de Segurança no Transporte dos Estados Unidos dividiu a culpa com a fabricante do veículo, de acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira (12).

A agência culpou especificamente a Tesla por não garantir a atenção do motorista em alta velocidade e não restringir o uso do piloto automático às estradas adequadas. Além disso, o relatório concluiu que não havia monitoramento suficiente sobre a atenção do motorista.

Foram emitidas sete novas recomendações de segurança e reiteradas duas já existentes, incluindo a captura de dados do relatório do sistema automatizado, limites ao uso de recursos de autocondução e formas de medir o envolvimento dos motoristas.

O carro que se envolveu no acidente

O relatório final é contundente. O texto diz que os sistemas de proteção falharam e a Tesla permitiu que o motorista usasse o sistema de autocondução fora do ambiente para o qual foi projetado.

Outro fator ressaltado no inquérito é que o sistema deu demasiada margem de manobra ao motorista e ajudou a desviar sua atenção.

Como foi o acidente

O inquérito foi aberto após o choque de um modelo S em 2016, conduzido por um homem de 40 anos na Flórida. O carro bateu em um caminhão enquanto estava no modo de piloto automático. O motorista morreu.

A investigação descobriu que as mãos do motorista ficaram no volante por 25 segundos dos 37 minutos em que o carro estava no piloto automático. O sistema operacional do veículo avisou o motorista sete vezes para colocar as mãos no volante antes de acontecer o acidente.

A investigação mostra ainda que nem o motorista nem o sistema de sensores do carro detectaram o caminhão cruzando a estrada.

A Tesla disse que está revisando as recomendações da agência e citou um relatório de outro órgão de segurança no trânsito dos Estados Unidos, que não encontrou problemas de segurança com o piloto automático e verificou uma queda de 40% de acidentes após a implantação desse sistema nos carros.

A empresa também afirmou que atualizou o conjunto de sensores e o software utilizados no carro para impedir que os motoristas acionem o piloto automático se ignorarem avisos do sistema. Além disso, a Tesla está coletando dados dos motoristas para melhorar o desempenho do piloto automático.

Segurança em debate

No fundo, o que está em debate é se os carros automáticos são mais seguros. Das mais de 33 mil mortes em acidentes automotivos que acontecem nos EUA a cada ano, 94% são causados por erros humanos.

O CEO da Tesla, Elon Musk, já afirmou que os veículos autônomos reduzirão essas mortes e que a probabilidade de um acidente acontecer é 50% menor com o piloto automático.

via Canaltech

Deixe uma resposta