Western Digital ou Foxconn podem comprar unidade de chips da Toshiba

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A Toshiba está de volta à mesa de negociações para venda de sua divisão de fabricação de chips, desta vez, conversando com a Western Digital e Foxconn sobre o assunto. A notícia marca o retorno de uma negociação que tem valor estimado em US$ 18 bilhões e cara de que não ia dar certo, algo que vinha preocupando credores, dirigentes da própria companhia e também o governo japonês.

Além das duas companhias, a Toshiba também estaria negociando com uma terceira, que não foi revelada. As conversas, entretanto, não estariam seguindo de maneira tranquila, pois ao mesmo tempo em que a fabricante japonesa tem pressa em saldar dívidas acumuladas após uma série de escândalos e casos de má gestão, as possíveis compradoras buscam maneiras alternativas de controle.

Originalmente, a Toshiba tinha fixado um prazo para o fim das negociações — o dia 28 de junho, que passou sem que as partes chegassem a um acordo. Do outro lado estava um consórcio formado pelo Banco de Desenvolvimento do Japão e o INCJ, um fundo de investimentos em inovação também nipônico, além da Bain Capital, dos Estados Unidos, e da fabricante coreana SK Hynix.

Foi justamente a participação da última, que também atua no mercado de chips, que preocupou as autoridades. A SK Hynix sugeriu que o negócio fosse realizado na forma de obrigações convertíveis em ações, mas a Toshiba não desejava ver sua rival no controle de seus próprios negócios. O governo concordou com essa visão, e tais fatores, combinados, acabaram minando as negociações com o consórcio.

Agora, entretanto, as coisas não são tão mais simples no caso da Western Digital. As relações entre as companhias estão estremecidas desde que a empresa americana adquiriu a SanDisk, em maio do ano passado. A marca era parte da Toshiba, o que levou a compradora a entrar na justiça de forma a impedir que a japonesa vendesse novas unidades sem contar com sua anuência.

Nos documentos submetidos à corte, com julgamento marcado ainda para esta semana, a Western Digital afirma ter interesse no segmento de chips da Toshiba, e inclusive, ter feito uma oferta similar à recebida por outros possíveis compradores. Mais uma vez, porém, entra em jogo a pressão do governo para manter o negócio na esfera local, além de uma resistência dos executivos da companhia em negociarem com uma parte que já causou problemas no futuro.

Enquanto isso, permanece em andamento uma dívida no valor de US$ 1,3 bilhão, fruto de um escândalo contábil revelado em 2015, que levou à renúncia de oito executivos de alto escalão, incluindo o CEO da época, Hisao Tanaka, bem como ao que foi chamado de “maior dano já causado à marca em seus 140 anos de história”. Os números da empresa vinham sendo inflados artificialmente de forma a enganar investidores, quando na verdade, a situação era de perda, principalmente relacionada à construção de uma usina nuclear nos EUA.

Para tranquilizar seus acionistas, a Toshiba confirmou, em reunião da diretoria realizada nesta terça-feira (11), que está em negociações com interessados em comprar sua divisão de chips. Ela confirmou que as conversas com o consórcio de empresas caíram por terra e não divulgou quem são os novos possíveis compradores, nem detalhes sobre valores e outros aspectos dos negócios.

Enquanto isso, a Foxconn não confirmou nem negou o interesse em adquirir o setor. A Western Digital, apesar de já ter registrado seu interesse por meio de documentos oficiais, também não comentou sobre o retorno formal às negociações.

Fonte: Reuters

via Canaltech Corporate

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