Quem seria o culpado caso pessoas controladas por máquinas matassem alguém?

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Em março, o visionário Elon Musk contou ao mundo que estaria planejando implantar chips nos cérebros das pessoas, por meio de um novo projeto chamado Neuralink. Paralelamente a isso, outros figurões da tecnologia em conjunto com cientistas têm trabalhado para criar computadores com redes neurais e outros tipos de integração homem-máquina. Apesar de essa realidade ainda estar dando os seus primeiros passos, já podemos prever algumas questões éticas e morais que surgirão quando as máquinas integradas com cérebros se tornarem parte do nosso dia a dia. E uma delas é: quem seria o culpado caso esses novos seres matassem um ser humano?

Segundo os autores de um estudo a respeito, publicado na revista Science, “apesar de as interações entre mente e máquina parecerem atraentes de forma intuitiva, criar ligações diretas entre uma máquina e nosso cérebro pode limitar ou suspender perigosamente nossa capacidade de controlar a interação entre mundos pessoais e mundos exteriores”. Ainda segundo os pesquisadores, “para muitos, esse cenário traz temores fundamentais, até mesmo existenciais, incluindo o medo de perder privacidade e autonomia”.

E, apesar desse medo não ser justificado nos dias atuais, não é algo insensato pensar lá na frente, quando as máquinas integradas com pessoas forem uma realidade. Pelo fato de que essas novas máquinas serão dotadas de características humanas como autonomia para tomar decisões, casos envolvendo violência direcionada a objetos e, até mesmo, a humanos, devem ser imaginados.

Os autores do estudo imaginam, ainda, a invenção de um sistema que exija que o usuário avalie as ações indesejadas cometidas por esse tipo de máquina, mais ou menos como acontece quando o motorista escolhe pressionar os freios de um carro quando avista um pedestre à sua frente. Ou seja, a ação da pessoa que está usando a máquina determina se ela machucará, ou não, outra pessoa. Sendo assim, o usuário seria responsável pelas consequências.

Outra questão também já vem sendo levantada quanto a esse problema do futuro: a segurança. Imagine se um hacker invadisse uma máquina dessas, e a programasse para cometer crimes. Segundo os pesquisadores, “não existe, a nosso entender, nenhuma solução tecnológica estabelecida para impedir este problema”. Ou seja, o que, por enquanto, não passa de roteiro de ficção científica, pode realmente acontecer no futuro.

Além de tudo, ainda existe a preocupação de que as empresas que controlarem essas máquinas possam comprar e vender dados dos cérebros dos usuários que se integrarem suas mentes a dispositivos tecnológicos. Afinal, se as informações que disponibilizamos nas redes sociais de maneira um tanto quanto inocente já são revendidas por aí, que garantia teremos de que o mesmo não acontecerá em outras proporções nesse futuro perigosamente sedutor? Pensando em todas essas questões, os autores do estudo exigem que sejam feitas mais pesquisas sobre engenharia neural segura (a chamada “neurosecurity”) para impedir que dados neurais sejam manipulados de maneira não autorizada.

Enquanto essas tecnologias que mesclam homem e máquina são promissoras para tratar problemas de saúde, como paralisia de membros e até mesmo distúrbios psiquiátricos, o lado negativo são essas possibilidades de que a tecnologia seja usada para prejudicar as pessoas de maneira sem precedentes. E de quem seria a culpa caso uma pessoa cujo corpo é controlado por dispositivos eletrônicos cometa um assassinato, depois de ter sido invadida por um hacker? A resposta ainda não é muito clara, mas, sem dúvidas, é algo que precisa ser analisado com cautela por parte da comunidade científica.

Via: Motherboard

via Canaltech

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