Motorola Moto E4 [Análise / Review]

Moto E4

O Moto E sempre foi o aparelho de entrada da Motorola, uma versão mais simples do Moto G. Hoje, com o Moto E4, ele não é beeeeem o de entrada e esta mudança fez a linha tênue entre ele e o Moto G ficar ainda mais fina. Confira nossa análise para saber se esse investimento realmente vale a pena.

Adeus, plástico

A maior mudança quando comparado com suas versões anteriores, está na carcaça. Ela abandonou o plástico e torna o Moto E4 um dos únicos smartphones de baixo custo que aposta em alumínio em boa parte do aparelho. Boa parte, já que no topo e abaixo dele você tem plástico, que é por onde o smartphone conversa com o mundo todo. E, não, as linhas no topo e abaixo são apenas detalhes chanfrados em metal. São pontos de estética, sem função para antenas.

Os botões de controle de volume e liga/desliga compartilham do mesmo lado. Felizmente a entrada para fones de ouvido não sumiu e a porta microUSB está pra baixo. Diferente de seu irmão maior, o Moto E4 tem o falante na traseira e não do lado da porta USB. Esta mudança é bem positiva, já que você acaba criando uma concha acústica ao segurar o aparelho de pé. Isso aumenta o som, sem gastar nenhum elétron extra. Também facilita para não tampar a saída de som com as mãos, quando joga ou assiste um vídeo.

Como é menor e mais leve, beirando os 150 gramas, a pegada fica mais confortável. O aparelho encaixa bem nas mãos, mas ainda assim é complicado controlar todos os recursos com apenas uma das mãos. O que muda é que ele fica mais firme, escorrega menos quando comparado aos 200 gramas e corpo 10 milímetros mais alto do Moto E4 Plus.

Atrás da tampa fica a bateria, que neste modelo é removível e divide espaço com os dois espaços para SIM card e também a entrada do microSD. Que pode ter até 128 GB de memória extra.

Display e mutimídia

Os Moto E nunca foram os melhores aparelhos em tela, mas isso mudou no E4. O IPS LCD de 5 polegadas, com resolução HD, lida muito bem com cores e contrastes. Há um pouco de reflexo quando luz solar direta chega no aparelho, mas nada de ponto negativo por aqui. Afinal de contas, este é um aparelho de entrada.

Ângulos maiores também não desagradam. Os tons de cores não mudam radicalmente e isso garante que seu amigo possa assistir seu gameplay sem problemas, sem aberrações cromáticas ou detalhes que se perdem. Resumindo: a tela é OK, um pouco acima do esperado para um aparelho de entrada.

Especificações

O Moto E4 vem equipado com um processador MediaTek MT6735 com quatro núcleos rodando em até 1.3 GHz, com 2 GB de RAM e isso é o mínimo necessário para rodar o Android sem reclamações.

  • Mediatek MT6735
  • Quas-core 1.3 GHz Cortex-A53
  • GPU Mali-T720
  • 2 GB de RAM
  • 16 GB de memória (10,6 GB livres)
  • Android 7.1.1

Usabilidade e desempenho

Aqui você tem o mínimo necessário para rodar bem o Android, e a Motorola dá uma mãozinha ao não alterar tanto assim o Android Nougat que vem instalado no Moto E4. O visual é de um Pixel Launcher com ícones diferentes. Ponto final. Sem alterações visuais pesadas, sem uma launcher com efeitos extras. Tudo dando um fôlego extra ao celular.

A lista de apps pré-instalados inclui o pacote do Google, como Gmail e Chrome, com poucas adições da Motorola. Nela você recebe um sintonizador para rádio FM que não precisa de fones de ouvido como antena e que permite gravar o que é reproduzido na estação. Há um app para manual de instruções e testes do hardware, outro que instala mais apps (e esse é o único inútil), junto do Moto.

Esta versão do Moto não é tão completa como a que existe nas linhas Z e G, deixando de lado funções importantes como agitar o celular para ligar a câmera ou balançar para ligar o LED e transformar o aparelho em uma lanterna. Nele você consegue configurar o leitor de impressões digitais para funcionar com funções dos botões virtuais do Android, ou diminuir a tela para controlar tudo com uma só mão.

Dá também pra configurar se a tela se ajusta em tons mais quentes pela noite, junto do Moto Tela que exibe notificações sem ligar todo o display. E é só isso que vem pré-instalado.

O desempenho geral é bacana, com fôlego suficiente para rodar uns quatro ou cinco apps ao mesmo tempo e sem engasgar. Continue abrindo mais e o Moto E4 começa a dar sinais de queda na velocidade de animações e até mesmo aumenta o tempo de abertura de apps.

Para jogos, como esperado de um smartphone de entrada, é impossível jogar Breakneck, já que a taxa de quadros por segundo despenca. Asphalt 8 rodou um pouco melhor com os gráficos no máximo, mas é só baixar a qualidade dos detalhes e o game roda muito bem. Títulos mais leves, como Subway Surf e Mario Run rodam bem, com tudo no máximo e sem qualquer problema.

Câmeras

O sensor principal tem 8 megapixels, com abertura de f/2.2 e esta é uma das diferenças do Moto E4 para o E4 Plus. A câmera por aqui é mais simples, mas continua com a mesma interface alterada pela fabricante. O resultado das fotos em ambientes bem iluminados é satisfatório e um pouco acima do esperado para esta faixa de preço.

As cores são vivas, pecando apenas no contraste. Se ele é grande, áreas mais escuras não ficarão bem visíveis, deixando outras balanceadas sempre para o mais claro. Ligando o HDR, que é raro em aparelho mais baratos, o problema é resolvido, mas o tempo de captura da foto aumenta consideravelmente. Prender a respiração e rezar para ninguém esbarrar em você é importante nestes momentos.

As fotos noturnas ficam ruins, de verdade. A câmera não consegue lidar com pouca luz e as fotos acabam com grande quantidade de granulado, pouco trabalho bem feito em foco e alguns objetos borrados pelo tempo de exposição.

Mesmo focando manualmente, você acaba com imagens que aparentam estar fora de foco. Neste ponto o HDR não ajuda, na verdade ele pior a situação e gera imagens ainda mais borradas. Os vídeos são gravados em 720p, sem estabilização e eles sofrem um pouco mais em ambientes com muito contraste. Mas, de qualquer forma, quebram o galho. 

A câmera frontal trabalha com 5 megapixels, mas sofre com a abertura de f/2.8, contra o f/2.2 que a Motorola diz ter. O resultado é de uma selfie que fica boa somente se você não tirar de noite. O LED para flash ajuda, mas flash sempre estraga a foto, né?

Bateria

Enquanto o Moto E4 Plus surpreendeu pela bateria de 5.000mAh, o Moto E4 é apenas o que você espera de um smartphone. Ele vem com 2.800mAh e é o suficiente para finalizar o dia com 10% de energia. Marca alcançada com o meu uso, que inclui 4G o tempo todo, Wi-Fi em alguns momentos, streaming de áudio por mais de duas horas, vídeo no YouTube por 20 minutos e alguns jogos, redes sociais e navegação GPS via Google Maps.

Em nossos testes de vídeo reproduzido em streaming, com brilho no máximo e via Wi-Fi, o resultado ficou na média de 17% por hora. Pouca coisa acima do dobro que foi registrado com o Moto E4 Plus, que tem quase que o dobro de bateria. Pode parecer pouco, mas não é comum um smartphone de baixo custo beirar os 3.000mAh. O Moto E4 consegue uma boa marca.

Vale a pena?

O Moto E4 consegue um desempenho dentro do esperdo para sua marca, utiliza o mínimo necessário para o bom funcionamento do Android e não cobra tanto assim por isso. Ele foi lançado por R$ 849, mas é possível encontrar, no varejo, na faixa dos R$ 750. Neste preço ele perde para outro smartphone da Lenovo, o Vibe K6 – que é melhor do que o Moto E4 em todos os pontos.

O Galaxy J5 Metal de 2016 também pode ser encontrado nessa faixa e, assim como o Vibe K6, é melhor que o Moto E4 em todos os pontos. Se você quer ainda mais recursos e uma marca brasileira, o Quantum MUV UP oferece o dobro de memória interna, 1 GB a mais de memória RAM e pode ser encontrado por valores próximos dos R$ 600.

Isso é R$ 150 mais barato que o Moto E4, com muito mais em praticamente todos os pontos. Com este preço, fica difícil recomendar o Moto E4. No dia em que ele baixar de preço e esbarrar nos R$ 600, a história pode mudar.

via Canaltech

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