Crise interna do Uber derruba executivo no segundo cargo mais alto da empresa

O Uber vem passando por uma forte turbulência nos bastidores, com diversos funcionários sendo demitidos ou deixando o cargo após a revelação de escândalos internos. Desta vez, quem caiu foi Emil Michael, vice-presidente sênior de negócios.

Foto por KEVIN MOLONEY/Fortune Brainstorm TECH/Flickr

Segundo a Bloomberg, Michael ajudou o Uber a levantar mais de US$ 10 bilhões em investimentos, fechou parcerias com fabricantes de automóveis como a Daimler/Mercedes-Benz, e negociou uma trégua com a rival chinesa Didi Chuxing.

No entanto, ele se envolveu em duas controvérsias nos últimos anos. Em um evento fechado do Uber em 2014, Michael sugeriu gastar “um milhão de dólares” para abafar controvérsias envolvendo a empresa.

A ideia era investigar a vida pessoal dos jornalistas para “dar à mídia um gosto do próprio remédio”. Na época, Michael pediu desculpas, assim como Travis Kalanick, CEO do Uber: “nós não investigamos nem vamos investigar jornalistas”.

Este ano, Michael telefonou para uma ex-namorada de Kalanick para tentar abafar uma história que ocorreu em 2014. Os executivos foram a um bar de Seul, Coreia do Sul, que oferecia mulheres como acompanhantes. Uma gerente de marketing estava acompanhando o grupo e, de volta aos EUA, ela reclamou para o departamento de recursos humanos.

Gabi Holzwarth, ex-namorada de Kalanick, também foi para esse bar. Este ano, ela recebeu uma ligação de Michael pedindo para dizer apenas que o grupo foi a um bar de karaokê, para que o incidente não fosse descoberto pela mídia. Em vez disso, ela contou tudo o que aconteceu.

Fontes dizem à Bloomberg que, para Michael, essas controvérsias não foram o motivo para ele perder o cargo. O executivo culpa o conselho de administração fraco, que não teve coragem de apoiá-lo em meio a casos “mal explicados e sem importância”; e diz que sua amizade com Kalanick também pesou na decisão.

Travis Kalanick

Travis Kalanick

Um relatório elaborado por Eric Holder, ex-procurador-geral dos Estados Unidos, identificou diversos problemas internos na cultura do Uber. Ele recomenda romper os laços com Michael, entre outras medidas; e será divulgado nesta terça-feira.

Outro relatório analisou 215 denúncias de assédio sexual acumuladas no Uber ao longo dos anos, e motivou a demissão de vinte funcionários.

Além disso, o “A-Team” do Uber está se desfazendo pouco a pouco. Trata-se de um grupo de executivos com a mesma mentalidade agressiva de Kalanick, que ajudou a expandir o serviço no Brasil e em diversos outros países. Michael fazia parte desse grupo, assim como Eric Alexander, líder da área de negócios da empresa na Ásia-Pacífico; e o diretor de tecnologia Thuan Pham.

Alexander perdeu o cargo porque obteve acesso indevido aos registros médicos de uma vítima de estupro na Índia em 2014. Pham, por sua vez, é acusado de não ouvir reclamações de funcionários, e pode ser substituído em breve, segundo o New York Times. E o próprio Kalanick estaria pensando em se afastar do cargo de CEO por três meses.

Com informações: New York Times, Bloomberg.

Crise interna do Uber derruba executivo no segundo cargo mais alto da empresa

via Tecnoblog

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