A história da LG, uma das rainhas da Coreia do Sul [vídeo]

Você está acostumado a ver com frequência aqui no site uma série de notícias sobre a LG em setores como smartphones, smartwatches e eletrodomésticos.

Mas ela tem uma trajetória bem vasta, que inclui ajudar a Coreia do Sul a se recuperar de uma guerra e virar uma potência econômica respeitada em todo o mundo. A seguir, você conhece tudo sobre ela.

O começo com… Cosméticos?

Assim como outras empresas que tiveram a história contada aqui no TecMundo (confira a lista no final deste artigo!), a LG não começou nem com eletrônicos e muito menos sob esse nome. A companhia nasce em 1947 como Lak-Hui Chemical Industrial, com a palavra em coreano soando como “Lucky”, que é sortudo em inglês.  Os fundadores são Huh Man-jung e Koo In-hoe, e essas duas famílias permanecem no controle da empresa até hoje.

Ela começou lançando um creme para o rosto, mantendo-se por algum tempo só no mercado de cosméticos e produtos de higiene ou limpeza.

O creme para rosto foi um dos primeiros produtos da empresa.

Ela abre um laboratório em 1950 pra fazer os próprios produtos e, ao longo dos anos lançou sabão, pasta de dente e detergente. No mesmo ano, torna-se a primeira marca nacional da indústria a fabricar plástico e tubos PVC.

Essa era a época da Guerra da Coreia, quando o país é devastado com os conflitos. A LG foi uma das marcas que ajudou o país a se erguer e ter uma indústria de produtos nacionais para uso interno e exportação.

Entrando nos eletrônicos

Em 1958, a Lucky abre uma empresa chamada GoldStar para entrar no mercado de produtos eletrônicos. Controlada pelo mesmo grupo, ela é a primeira sul-coreana do setor, surgindo quase dez anos antes da rival Samsung. Um ano depois, sai o primeiro rádio produzido em todo o país.

Ela foi a pioneira nacional a lançar a versão nacional de uma série de produtos: ventiladores, telefones, refrigeradores, televisores, aparelhos de ar condicionado e máquinas de lavar roupa. Entre alguns mais exóticos, ela também foi a primeira a fazer escadas-rolantes e elevadores por lá.

Um dos primeiros telefones da LG sendo testado por seu cofundador.

A GoldStar logo passa a fornecer seus eletrônicos para mercados ocidentais e a investir em semicondutores. Só que a fabricação de chips não deu tão certo: ela foi superada pela Samsung rapidamente nesse mercado e voltou a focar em aparelhos.

O primeiro dela vendido nos Estados Unidos foi uma TV de 19 polegadas. Em 1982, ela é a primeira sul-coreana a abrir uma fábrica na América do Norte para dominar de vez o Ocidente.

Na metade dos anos 80, a parte de cosméticos e limpeza ainda era a maior fonte de renda da corporação. Porém, no fim dessa mesma década, a área de eletrônicos já era a mais lucrativa.

Alçando voos

E agora chegou a hora de revelar: afinal, o que significa LG? Ela é a sigla de Lucky-Goldstar, a fusão da companhia de cosméticos com a de eletrônicos. As duas se juntaram em 83, mas a mudança pra sigla só aconteceu em 95 por ser um nome mais chamativo e comercial.

A logo que você conhece existe desde esse ano e só passou por uma pequena alteração em 2015, adotando um tom mais escuro de vermelho e trocando de fonte.

Nos anos 80, ela tentou de tudo. A marca ainda lançou videocassetes, computadores pessoais e muitos outros produtos para o consumidor final ou mercado corporativo.

Sim, isso gerou muito dinheiro no começo, mas logo vieram reclamações sobre a baixa qualidade nos produtos, alguns fabricados às pressas. A reputação da LG ficou manchada nessa época, mas logo veio o resgate.

Em 91, a empresa passa por uma reformulação radical, que deixa de lado o esquema familiar e cheio de burocracia da gerência.

Quem assume como CEO da parte de eletrônicos é Lee Hun-Jo, que não era de nenhuma das duas famílias fundadoras. Ele corta uma série de produtos que não estavam dando certo e faz divisões em setores pra manter tudo organizado e com qualidade.

Mais e mais mercados

Em 99, a LG estreia em um setor que hoje em dia é um dos seus principais. Ela passa a fazer telas LCD em uma parceria com a Phillips, que depois passa a se chamar nada menos que a LG Display. A norte-americana Zenith é comprada em definitivo mais ou menos nessa época e vira uma das principais parceiras.

No começo dos anos 2000, novas mudanças. A LG Chem é separada para atuar mais individualmente, mas ainda debaixo da corporação. Hoje em dia, ela é a maior empresa de produtos químicos da Coreia do Sul, produzindo soluções em energia, matérias-primas e produtos como plástico, borracha e polímeros sintéticos.

Outra divisão que foi um tiro certeiro é a LG Household & Healthcare, que lança cosméticos, produtos de higiene pessoal e até distribui bebidas, incluindo os refrigerantes da Coca-Cola na Coreia do Sul.

E tem um setor que você pode não conhecer, a LG Innotek. É ela que cuida da fabricação dos componentes mais específicos pros produtos da marca e das parceiras, incluindo módulos de câmera, LEDs e até tecnologia automotiva. Essa área também já foi desmembrada uma vez, dando origem à LIG Nex1, que faz equipamentos de defesa militar e vigilância, incluindo até mísseis.

A LG continua ao longo dos anos forte no mercado sul-coreano e também mundial. Ela permanece lançando televisores, máquinas de lavar roupa, ar-condicionado, refrigeradores e por aí vai até hoje, vários deles já inteligentes e integrados com Internet das Coisas.

Olá, mercado mobile!

Quando os celulares estavam em alta, a LG descobriu o setor. Ela não foi exatamente um grande destaque no começo, mas a partir da ascensão dos smartphones lançou muitas linhas diferentes. Vamos destacar alguns aparelhos que fizeram história:

O B1200 é o primeiro com jogos e tinha incríveis oito tons polifônicos de chamada.

O LG KG800, ou LG Chocolate, que saiu em 2006 e chamou bastante atenção pelo design.

O LG A380, que é um flip com uma pequena tela externa pra informações rápidas.

O LG Prada, de 2007, foi o primeiro com tela capacitiva. Executivos da LG acusam a Apple de copiar o visual dele no primeiro iPhone.

E tem ainda alguns de design duvidoso, como o LG Viewty, que mistura celular com câmera digital e saiu no Brasil em 2008.

O primeiro smartphone dela com Android foi o GW620, também chamado de LG Eve ou LG InTouchMax. Ele saiu em 2009 com teclado deslizável e câmera de 5 megapixels.

A aliança rendeu ainda o Nexus 4 e o Nexus 5X, fabricados em parceria com a Google.

Em 2010, veio o primeiro Optimus, começando uma linha bastante duradoura e variada.

As famílias K, V e Vu também se destacam, com aparelhos pros mais diferentes segmentos e com todos os tamanhos de tela possíveis.

O primeiro modelo Vu concorria direto com o Galaxy Note.

E tem ainda o LG G Flex, um smartphone curvo que talvez tenha surgido na época errada e, por custar demais, não foi um sucesso comercial.

O incontestável

Mas sinônimo de LG e celular é mesmo a família G. O primeiro se chamou Optimus G já fez muito sucesso quando saiu em 2013, vendendo 1 milhão de unidades em quatro meses só na Coreia do Sul.

Aí virou tradição, com a LG lançando um novo top de linha por ano. O LG G2 se destacou por manter um ótimo desempenho mesmo depois de vários anos de uso, além dos botões físicos na traseira, um visual que virou marca registrada da linha.

O LG G3 brilhou com uma tela Quad HD e introduziu os modelos paralelos, como o G3 Stylus e o G3 Beat. O G4 mudou pouco em relação ao anterior, mas é até hoje o aparelho de muitos consumidores.

Já o LG G5 ficou marcado negativamente por apresentar acessórios que não pegaram e por chegar ao Brasil em uma versão com hardware piorado, mas ainda custando caro. Mais recente da família, o G6 abandonou os módulos e voltou a brilhar, especialmente pela câmera dupla e a tela que ocupa quase toda a parte frontal do dispositivo.

O que mais ela faz hoje?

No ramo de televisores, o destaque atual vai para as linhas Smart 4K e OLED. O sistema operacional atual delas é o WebOS, licenciado da HP e originalmente da Palm. A LG também tem monitores de vários tamanhos e resoluções e vive pesquisando novas tecnologias na área, como displays dobráveis e flexíveis.

A empresa também aposta hoje no segmento de internet das coisas e em smartwatches. No caso de relógios, o LG G Watch foi um dos primeiros com Android Wear, e a linha ganhou sucessores com cara mais esportiva ou urbana.

O atual CEO de toda a corporação é Koo Bon-moo, neto de um dos fundadores da Lucky, que começou como gerente do setor de produtos químicos. Já o chefe da parte de eletrônicos é Jo Seong-jin, que antes cuidava do setor de produtos domésticos e já tem mais 40 anos de carreira na companhia.

A LG hoje é o quarto maior chaebol da Coreia do Sul. Esse nome é usado pra descrever as “supercorporações” que atuam em áreas bem diferentes e começaram por lá, de eletrônicos até alimentos e outros serviços. Ela fica atrás apenas de Samsung, Hyundai e do SK Group. Com tanta história por trás, você com certeza já viu a marca em muitos lugares por aí ou até tem produtos dela em casa.

Se você quer ver a história de algum produto, empresa ou serviço contada no canal do TecMundo, é só deixar a sugestão nos comentários. Confira as outras trajetórias que já contamos neste quadro:

via Novidades do TecMundo

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