Etiópia “desliga” internet para evitar vazamento de exame nacional

Banda Larga

O governo da Etiópia desativou completamente o acesso à internet para seus cidadãos na noite desta terça-feira (30) em antecipação a um exame nacional para os alunos do país. As provas teriam surgido na internet no início da semana e, para conter o vazamento e evitar colas, a rede foi completamente desligada, impedindo o acesso tanto a sites locais quanto estrangeiros.

De acordo com relatos da imprensa etíope, a interrupção durou cerca de 12 horas, começando às 18h no horário local e encerrando na manhã desta quarta (31), após o início das provas, quando os estudantes já estariam nas salas de aula e sem acesso à internet. O corte atingiu tanto redes domésticas quanto móveis, bem como serviços de VOIP. Durante o período, as únicas formas de comunicação mobile eram ligações e mensagens de texto.

No momento em que essa reportagem é escrita, ainda existem relatos de intermitência nos serviços de algumas operadoras de telefonia. O acesso, entretanto, já estaria normalizado de maneira geral, com a utilização da internet restabelecida em um país que tem uma das menores taxas de cidadãos conectados do mundo.

Mesmo assim, o governo não tem o menor pudor em cortar o acesso dos cidadãos à internet. Por mais que ainda não tenha se pronunciado para negar ou confirmar a interrupção desta terça, as autoridades etíopes já haviam agido de maneira semelhante em julho do ano passado, quando ativistas vazaram um exame nacional na internet como forma de protestar contra medidas educacionais consideradas autoritárias.

Na ocasião, o país enfrentava turbulências políticas que levaram muitas escolas a cancelarem as aulas. Apesar disso, o governo não adiou ou suspendeu a aplicação dos exames, o que levou a novos protestos e, no fim das contas, o vazamento das provas. Na ocasião, um porta-voz da administração pública afirmou que a medida veio para “permitir que os estudantes pudessem se preparar sem distrações”.

Cortes desse tipo também acontecem por razões políticas, com o governo etíope já tendo censurado o acesso a determinados sites ou redes sociais como uma forma de conter o avanço de protestos da oposição. Um dos casos mais graves aconteceu em 2015, quando o acesso foi completamente interrompido após a declaração de estado de emergência, que envolveu a prisão e assassinato de líderes e militantes de movimentos contrários à administração.

A ONG Internet Sem Fronteiras criticou o corte recente realizado pela Etiópia, afirmando se tratar de mais uma violação aos direitos básicos de seus cidadãos. A situação é ainda mais grave quando se leva em conta que não houve confirmação de que as provas efetivamente vazaram na internet, com a interrupção sendo vista como uma maneira de impedir que isso acontecesse, com um bloqueio prejudicial a toda a população e economia locais.

Fonte: Quartz

via Canaltech

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