O rosto de Júpiter

O nome dele em proto-indo-europeu, a língua que deu origem a quase todos os idiomas do Ocidente, é “Papai do Céu”. No original, Dyaus Pita. Dyaus (céu) viraria “Zeus” em grego, e essa palavra passou a denominar o chefe do panteão divino dos helênicos. Em Latim, Dyaus virou “Deus”. Os gregos deixaram de lado o Pita (“papai”). Os romanos, não. Por lá, a divindade central continuou chamando Dyaus Pita, ainda que numa versão contraída: Júpiter. Mais tarde, você sabe, o nome migraria para o céu de fato, desta vez para identificar o mais majestoso dos planetas.

E agora. Só agora. O maior de todos do Sistema Solar mostra o seu rosto de verdade. Graças à Juno, a sonda que já está há um ano nos arredores do gasoso. Neste momento, a sonda está dando voltas em Júpiter numa trajetória extremamente elíptica: numa hora, ela se afasta bastante do planetão; depois volta como um bumerangue, passando quase que de raspão pelo pólo-sul jupteriano a cada 53 dias. De raspão mesmo: a sonda chega a apenas 4 mil quilômetros do planeta. Para você ter uma ideia, os nossos satélites de telecomunicações ficam a 35 mil quilômetros da Terra – a Lua, que é logo ali, dez vezes mais do que isso.

Bom, o resultado desses raspões da Juno são imagens inéditas e inesperadas, como esta aí em cima. Elas dão uma cara nova a Júpiter, bem diferente daquela mais conhecida, que mostra as listras do plano equatorial do planetão. Uma cara tempestuosa, diga do deus nervosinho que o batizou.

O pólo sul de Júpiter é uma coleção de tornados sem fim, feitos de neve misturada com amônia. Os maiores têm 1.400 quilômetros de diâmetro – curiosamente, o mesmo tamanho dos ciclones aqui da Terra, apesar de Júpiter ser 11 vezes maior.

(Nasa/NASA)

 

A maior novidade, porém, não vem dessas imagens. A Juno mediu o campo gravitacional de Júpiter, e atestou que o planeta não é exatamente uma bola de gás com um núcleo sólido minúsculo. Tal núcleo é bem maior do que se pensava: tem algo entre 7 e 25 vezes a do nosso planeta e, calcula-se, ela pode ter 70 mil quilômetros de diâmetro – metade do total do planeta (a Terra tem 12 mil).

 

Depois de tudo isso, ainda fica uma expectativa: em julho a Juno vai sobrevoar de perto a Grande Mancha Vermelha – a “tempestade eterna” do tamanho da Terra que assola Júpiter há mais de 300 anos. Certamente o Papai do Céu trará novas surpresas.

 

via Superinteressante

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