Entrevistamos as vencedoras do Women in Open Source Awards

Open Source

A premiação Women in Open Source Awards, criada pela Red Hat, homenageia mulheres que contribuem para projetos e comunidades de código aberto, e programadoras que fazem uso inovador da tecnologia. Em sua terceira edição, o evento de 2017 premiou Avni Khatri, presidente da Kids on Computers, e Jigyasa Grover, aluna da Delhi Technological University  (Universidade Tecnológica de Deli).

As vencedoras foram determinadas com base em votação pública e faturaram US$ 2,5 mil para apoiar projetos ou iniciativas de Open Source. Além disso, elas serão apresentadas na Opensource.com e farão parte de uma palestra da Red Hat, chamada de Women’s Leadership Community. O Canaltech entrevistou as finalistas para conhecer suas trajetórias, desafios e planos dentro da comunidade. Histórias para se inspirar.

Canaltech – Como e quando você começou a programar? E como você se envolveu com o mundo Open Source?

Avni Khatri – Eu aprendi a programar na sexta série nas aulas eletivas de programação da Martin Middle School, quando tinha 11 anos. A gente aprendia o básico. Eu era a única menina na classe e estava dentre os dois primeiros alunos. Eu comecei minha contribuição para o mundo Open Source durante minha estadia na Arsdigita [falecida startup de desenvolvimento], em 2000.

A empresa desenvolveu um framework que permite a construção de comunidades web. Este produto virou o OpenACS e eu fui selecionada para me unir ao comitê técnico. Devagarzinho fui me envolvendo mais com o OpenACS e aprendi os valores do FOSS [free and open source software] e como ele pode ajudar a conectar comunidades globais reais e virtuais.

Em 2010, me voluntariei para o Kids on Computers e me tornei presidente em 2012. A organização, sem fins lucrativos, cria laboratórios de informática usando computadores e softwares abertos doados, em áreas onde crianças não têm acesso à tecnologia. A organização já construiu 22 laboratórios em cinco países com a ajuda de voluntários e conexões com as comunidades locais.

A Kids on Computer transformou minha forma de pensar e me deu uma luz sobre o impacto que posso trazer para o mundo. Eu aprendi muito com a KOC e sou muito grata em fazer parte de uma organização tão incrível e com voluntários maravilhosos.

Jigyasa Grover – O significado do meu nome é “curiosidade” em sânscrito e hindi. Na época pré-universidade, a introdução ao fundamento da computação e programação rudimentar foi o suficiente para me picar com o bichinho da tecnologia e eventualmente me levar a descobrir o mundo de programação Open Source.

Na universidade eu trabalhar num algoritmo C\C++ programava em Java, Android Web, HTML, CSS, JS, PHP, Python. Então, em um programa de férias fiquei intrigada em explorar o movimento Open Source contribuindo para a comunidade em diferentes plataformas.

CT – O que você mais gosta em relação à comunidade Open Source?

Avni – Eu adoro a acessibilidade do software livre e aberto. Meu sonho é que todos, especialmente crianças, tenham acesso ilimitado à educação para que eles possam decidir por eles mesmos como suas vidas devem ser para que eles possam aperfeiçoar suas vidas e comunidade.

Jigyasa – Eu curti este mundo por causa da independência, usabilidade e custo-benefício especialmente ao desenvolver em países como o meu, a Índia. Aos poucos percebe a abertura e o espaço ilimitado de criação e inovação, e como a comunidade oferece oportunidades iguais a todos, independente da localização, gênero, cor, raça e etc.

CT – Você acha que as mulheres têm espaço dentro do mundo Open Source?

Avni – Sim! A diversidade de pontos de vista melhoram as comunidades, produtos e um mundo melhor. A comunidade FOSS é aberta e tem a cultura de permitir pessoas construírem habilidades, amizades que talvez nunca fariam.

Jigyasa – Minha jornada até agora neste mundo dominado por homens teve altos e baixos, mas não deixo nenhum dos desafios me desviar da minha determinação.

CT – Você está ligada à diversas iniciativas que promovem a inclusão de mulheres no mundo da programação e da comunidade Open Source. Você planejou este caminho?

Avni – Eu sempre quis ver mais mulheres e meninas mais envolvidas com a tecnologia. Na Amazon eu trabalho com mulheres muito inteligentes. Eu gostaria que todas as mulheres e meninas tivessem as mesmas oportunidades que eu tive de obter sucesso nesta área.

Jigyasa – Eu me considero feminista, pois acredito na ideologia de oportunidades iguais para todos independente do gênero ou orientação sexual.

CT – Quais são seus os planos futuros (pessoais e profissionais)?

Avni – Eu amo trabalhar com crianças e tecnologia. Estas são minhas duas paixões e o grande motivo pelo qual eu me voluntariei no KOC. No meu dia a dia eu trabalho na Amazon, como gerente técnica de programa da Alexa, e amo! Eu espero continuar expandindo minhas habilidades para que possa ajudar cada vez mais pessoas.

Jigyasa – Quero manter vivo o espírito do movimento Open Source de compartilhar e ensinar. Quero me manter atualizada sobre as últimas tecnologias e ferramentas. E para manter a chama acesa e continuar provendo para a comunidade, quero continuar meus trabalhos de monitoramento como Google Summer Code, Code-Heat, Google Code-IN, Learn IT, Girl! e Outreachy.

CT – Como você vê o momento do Open Source?

Avni – Eu vejo como um mundo de oportunidades. Acredito que é por meio do FOSS que conseguiremos alcançar comunidades e oferecer a elas acesso à tecnologia e conteúdo que irão ajudá-las a melhorar suas vidas. Educação e tecnologia são as formas mais sustentáveis das comunidades evoluírem.

Jigyasa – Eu acredito que o Open Source é ideal para pesquisa e desenvolvimento social por atrair desenvolvedores brilhantes e motivados.

Aproveite o tema e veja nossa entrevista com Alan Clark da OpenStack Foundation.

via Canaltech

Deixe uma resposta