EUA vê crescimento na troca de carros por aplicativos de carona

Por mais que montadoras e fabricantes afirmem que os aplicativos de compartilhamento de caronas não são uma ameaça, os dados do mercado automotivo parecem indicar o oposto. De acordo com dados da Reuters, 9% dos americanos que venderam seus veículos particulares nos últimos 12 meses optaram por não adquirir um novo, preferindo soluções como Uber ou Lyft para se locomoverem.

Uma segunda pesquisa notou movimento semelhante, com 10% dos americanos que pretendem vender seus carros até o começo do ano que vem também pensando em não realizar a troca, mas sim, andar por aí nos veículos de aplicativos. É uma porcentagem pequena, mas que mostra sinais cada vez maiores de crescimento.

Enquanto isso, a visão de especialistas é que a maior quantidade de motoristas trabalhando nesse tipo de serviço – gerando um desgaste maior, o que levaria a trocas mais rápidas – não deve compensar esse movimento. Por mais que a indústria automotiva deva ganhar um novo fôlego por conta, indiretamente, dos aplicativos, seu maior foco ainda é o consumidor final, e se ele começar a abandonar o mercado, a perspectiva pode ser problemática.

É justamente por isso que, apesar de afirmarem que essa dinâmica não deve afetar as receitas no curto prazo, muitas fabricantes já estão investindo em soluções de compartilhamento. A GM, por exemplo, vem experimentando grande sucesso com o Maven, seu sistema que facilita o aluguel de veículos, por meio de smartphones, e tem pontos de coleta espalhados pelas cidades para facilitar a devolução.

Hoje, 39% dos americanos já utilizam serviços de transporte por aplicativo pelo menos uma vez por mês, enquanto 27% desse total realizam corridas algumas vezes por semana. Para a diretora de políticas de transporte da Lyft, Emily Castor, é um sinal claro de que uma mudança está acontecendo.

A companhia, inclusive, é uma das grandes expoentes do pensamento de que veículos particulares não são mais necessários, em um movimento que tenta não apenas reduzir o impacto sobre o trânsito e o meio ambiente, mas também aumentar a própria receita. É um pensamento também compartilhado pela rival Uber, com ambas, inclusive, mantendo parcerias com montadoras para aumentar suas bases de motoristas, com a venda de veículos mais baratos, e garantir que os usuários realmente não precisem tirar os seus das garagens.

Já para o especialista em políticas públicas de transporte Bruce Schaller, o movimento está longe de se tornar uma tendência, mas sim, é um reflexo de um pequeno grupo de pessoas que está mudando seus hábitos. Ele afirma que a porcentagem exibida na pesquisa tem mais a ver com mudanças de emprego ou de cidade, com cidadãos ainda se adaptando a uma nova realidade, do que com uma noção de que os apps estão realmente se tornando uma alternativa.

A pesquisa da Reuters foi feita em parceria com a Ipsos e entrevistou 584 pessoas que haviam vendido seus carros nos últimos 12 meses, além de 566 que disseram pretenderem fazer isso nos próximos 12. Todas residem nos Estados Unidos.

Fonte: Reuters

via Canaltech

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