Batemos um papo com Zoe Saldana sobre Guardiões da Galáxia Vol.2, Vingadores 4, Avatar 5 – e feminismo

Há poucas pessoas mais alienígenas que Zoe Saldana vivendo neste planeta. No bom sentido, claro. Apesar de ter nascido em Nova Jersey, a atriz tem um histórico de personagens extraterrestes. Começou com Uhura Star Trek, em 2009, e no mesmo ano fez uma dobradinha como a ET Neytiri no filme mais valioso de todos os tempos, Avatar. Cinco anos depois, a alienígena entrou para o estúdio mais rentável da história, a Marvel, no papel de Gamora, em Guardiões da Galáxia.

Agora, Guardiões da Galáxia Vol.2 chega aos cinemas nesta quinta, 27, e batemos um papo com a atriz sobre o filme, Vingadores 3 e 4, Avatares 2,3,4 e 5 – e sobre a importância da ficção científica para o feminismo.

SUPERINTERESSANTE: Muito obrigado por me receber

Zoe Saldana: Eu que agradeço!

SUPER: Quais as principais diferenças entre a Gamora desse filme, e a do primeiro Guardiões?

Z.S.: Ela era uma escrota no primeiro filme Hahahahaa.

Ela era mega má. E eu sinto que era porque ela estava tentando sair daquela família, daquele pai, e, sei lá, fugir. Nesse filme ela está muito mais relaxada. Acho que ela está se sentindo segura, e encontrou apoio nessa nova família. Mas tem uma parte dela que ainda carrega essa culpa. Todas essas coisas que ela fez enquanto estava sob as garras do Thanos.

SUPER: E quais são as partes mais legais de fazer esse papel? E as mais difíceis?

Z.S.: Eu acho que amo fazer as cenas de ação. Elas são incríveis. Eu poderia falar que ameio fazer as partes mais cômicas, mas eu não sou muito a engraçada naquele grupo. Eu sou sempre aquela pessoa que está tentando não ser engraçada, tentando fazer os outros ficarem sérios. Então eu amo as cenas de ação, e acho que a coisa que mais está me deixando ansiosa pra esse filme é a relação da Gamora com a Nebula, a gente está se aprofundando nisso, vamos entender o porquê elas se tratam desse jeito. E vamos ter uma ideia. Uma ideia muito clara, do que é crescer com um pai como Thanos.

SUPER: E você vai participar do Vingadores: Guerra Infinita, né?

Z.S.: Sim!

SUPER: É um filme sobre interações: os Guardiões encontrando os Vingadores, encontrando Dr. Estranho. Qual foi a interação que você mais curtiu fazer, ou a que está mais ansiosa para rolar?

Z.S.: A gente acabou de começar a filmar. Por enquanto só gravamos algumas cenas e a Marvel está fazendo de um jeito que não deixa ninguém ler o roteiro completo. Eles te dão apenas o pedaço do script que te envolve. E eu acho isso bem interessante porque é um filme tão desafiador, no sentido de manter os segredos da produção e surpreender o público, então eu meio que admiro isso. Eu estou bem ansiosa.  Acho que os Guardiões vão ser incríveis em Vingadores – acho que, na verdade, eles vão ser os favoritos do público Hahahahahah.

SUPER: É provável! Hahaha

Z.S.: E claro que o Thanos é uma grande parte desse filme, então acho que é justo que suas filhas possam falar um pouquinho sobre ele também.

SUPER: O que está rolando são duas gravações simultâneas: a de Vingadores 3 e 4. Você vai estar nos dois filmes?

Z.S.: Até agora me disseram que sim, mas eles estão mudando os roteiros enquanto as gravações acontecem. Mas eles me têm durante o ano todo hahaha. Eles têm a todos nós durante o ano, confie em mim hahaha.

SUPER: E você faz um monte de ETs, né? Quero dizer: Guardiões, Star Trek, Avatar. Porque você faz tanta ficção científica?

Z.S.: Eu gosto delas! Hahaha

Eu gosto dos papéis que aparecem no meu caminho, e a oportunidade que eles me dão. E a mensagem que eles mandam para mulheres. Quer dizer, você pode fazer um filme sobre o espaço, ou ficar aqui na Terra e ser a namorada de alguém, ou a mãe de alguém, ou a vítima de alguém – e eu prefiro não fazer isso. Hahah

Mas não é como se eu não quisesse experimentar outros gêneros, eu estou aberta a qualquer coisa. Mas eu realmente curto ficção científica, quando eu não estou gravando, estou lendo, estou assistindo na TV. A Chegada é um dos meus filmes favoritos, eu acho que Denis Villeneuve é um diretor incrível e Amy [Adams} deveria ter sido indicada. E é injusto que um gênero como ficção científica não receba o crédito que merece. Porque é tão criativa, imaginativa, e para diretores, equipes e elencos, não serem valorizados, pelas contribuições de projetos inovadores e autênticos só porque se encaixam em uma classificação de “ficção científica”… é uma puta bobagem.

SUPER: Então você claramente considera todas essas personagens feministas?

Z.S.: Sim! Tá brincando? Sim!  Hahah

SUPER: E pra você qual a importância do feminismo em grandes blockbusters como esse filme?

Z.S.: Acho que eu gosto de fazer parte de coisas incríveis. E ter relevância como parte de uma coisa incrível. Eu acho que é importante. Acho que é uma mensagem muito forte. E eu gosto de mandar essa mensagem para jovens mulheres. E não é só sobre o coração. É sobre o corpo. Relacione seu corpo com seja lá o que você faz. Seja fisicamente ativa. E faça o que você tiver vontade. Se você quiser trabalhar com construções, se você quiser escalar uma porra de uma montanha, sei lá, se você quiser ir para o espaço, você pode ser uma astronauta, você pode ser alguém que se desafia fisicamente.

Eu acho que isso é importante. E você pode ser uma cientista. A gente não teria tantos sentimentos que estão direcionados às mulheres. Você tem que inspirar suas meninas e restringir menos a forma como elas enxergam a vida, e dar todas possibilidades que estão a frente dela. Mas se tudo que você der à sua filha forem vestidos, bonecas, e dizer para ela não correr porque ela pode cair e se machucar, aí você está só criando outra mulher que vai ser frustrada e ter uma vida de merda. Acho que a gente tem que prestar atenção nessas coisas que já estão naturalmente nelas. Por exemplo, eu estou criando 3 meninos, e minha irmã tem uma filha, e quando a gente vê todos juntos é muito claro: não tem diferença. A única coisa que os diferencia é a forma como os tratamos.

Todo mundo fala que meninos são mais desinibidos, mas, poxa, deixem as meninas serem mais desinibidas também! Então é meio que isso Eu quero fazer parte dessa mensagem, eu sinto que quando eu cresci, eu não tinha muitos modelos de ação femininos. Não haviam muitas super-heroínas. Quer dizer você tem s Super-girl, a mulher maravilha, mas você não tinha uma mulher que salvava o mundo como Schwarzenegger ou Stallone. Eu queria isso. Então eu tinha que me agarrar à Ripley [de Alien] ou Sarrah Connor [de Exterminador do Futuro] porque eram as únicas que eu tinha. E eu continuava vendo filmes tendo caras com protagonistas, tendo cineastas homens. E pensava “caramba eu queria que fosse eu, eu queria ser esse personagem”. E agora eu estou fazendo o que amo, eu quero ser parte disso, preenchendo essa lacuna, esse rombo, para meninas mais novas.

SUPER: E você vai estar em Avatar 2, né?

Z.S.: Sim! 2,3,4,5… todos eles Hahah

SUPER: E o que você pode me falar sobre isso?

Z.S.: Vai ser incrível, vai ser muito especial. E u acabei de ler o roteiro final e acho que vai valer a espera. É que eu acho que coisas boas levam tempo, e levou 20 anos para que o Jim [ James Cameron] filmasse Avatar. Coisas boas acontecem para quem espera. Ele é muito perfeccionista. Tinha que ser feito daquele jeito. Se ele vai criar uma coisa como Avatar o mínimo que você pode fazer é dar tempo para ele trabalhar, para ter um resultado perfeito.

SUPER: Muito obrigado pelo tempo!

Z.S.: Magina, o prazer foi todo meu!

via Superinteressante

Publicado por Carlos Trentini

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