Não é mais novidade que o Rio de Janeiro vive uma verdadeira guerra entre traficantes e forças policiais. Infelizmente, já é comum encontrar granadas e dispositivos explosivos deixados nas ruas de morros cariocas. Para combater isso, a polícia do Rio de Janeiro possui o esquadrão antibomba, que utiliza um robô para deixar estes artefatos longe da população. Atualmente, o esquadrão é o mais avançado tecnologicamente da América do Sul, segundo o WSJ — mesmo com a polícia carioca quebrada em termos financeiros.

São 30 robôs PackBot 510 que custaram R$ 7,2 milhões

“Esse robô é um equipamento fundamental, é vital em nosso trabalho rotineiro”, comentou o chefe do esquadrão antibomba carioca, Marcelo Corrêa, em entrevista para o WSJ.

O robô utilizado pelas forças policias realiza desde trabalhos mais simples, como a inspeção de pacotes suspeitas nas ruas e estações de metrô, até a remoção de granadas e protótipos explosivos que criminosos abandonam intencionalmente ou não após conflitos.

A utilização dos robôs, acima de tudo, é “pró vida”: caso um artefato explosivo seja acionado enquanto é removido, quem recebe o dano é uma máquina, e não um ser humano.

Segundo o WSJ, as forças policiais fluminenses só tiveram a possibilidade de trabalhar com esses robôs após o investimento realizado em grandes eventos, como a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016 — na época, mesmo com os morros em guerra, a “preocupação” principal eram ataques terroristas.

Para conter os possíveis ataques, o governo brasileiro fez um contrato de R$ 7,2 milhões com a Endeavour Robotics para comprar 30 robôs PackBot 510.

Robô retirando granada de cena

O grande problema

Falta incentivo, financiamento e treinamento apropriado para a Polícia do Rio de Janeiro. A principal questão: falta dinheiro. Como qualquer produto, estes robôs possuem um tempo de vida e são avariados com o uso diário.

Acontece que a garantia oferecida pela fabricante Endeavour Robotics já chegou ao fim. A cada dia que passa, a possibilidade de perder um robô é real. O governo também não pretende substituí-los tão cedo, já que são necessários alguns milhões.

A garantia para os robôs já terminou: se quebrar, a polícia fica sem a ferramenta

Por isso, segundo o chefe do esquadrão antibomba Marcelo Corrêa, a utilização dos robôs já é um fato de luxo. Por isso, Corrêa já treina a própria equipe para realizar as investigações e remoções por conta, sem confiar no robô, que pode parar de funcionar a qualquer momento.

“Depois de termos provado apenas uma única vez que um robô é capaz de salvar vidas, então na próxima vez que você está se encontra em uma situação semelhante, há quase um imperativo moral para pelo menos considerar o uso de um robô”, comentou sobre o caso Arthur Holland Michel, diretor do Centro de Estudos sobre Drones no Bard College, ao WSJ.