Vetado do Uber, bairro da periferia de São Paulo cria alternativa ao aplicativo

Nos últimos meses, o Uber vetou algumas localidades em que ela considera haver “desafios de segurança pública”. Por isso, segundo a BBC Brasil, moradores da periferia de São Paulo criaram a Ubra, uma alternativa ao aplicativo que também oferece transporte particular.

O serviço foi criado há vinte dias por Emerson Lima e Alvimar da Silva. O nome (parecido com Uber) é sigla para União da Brasilândia, referindo-se ao distrito de São Paulo onde é baseada a Ubra. Eles fazem todo o atendimento e agendamento por WhatsApp. Até o momento, são seis motoristas que estão disponíveis para combinar as corridas.

A ideia de criar a Ubra veio justamente da falta de Uber na região. Alvimar, cofundador do serviço, já foi motorista do aplicativo por oito meses, e diz que aprendeu muito com a empresa, tanto em como oferecer um serviço qualidade quanto em truques para fidelizar os clientes. A pequena frota da Ubra, segundo ele, tem apenas carros em ótimas condições e com ar-condicionado.

Segundo Emerson, cofundador do serviço, todos os carros têm cor prata e andam de vidro abaixado quando é necessário não chamar atenção. Apesar de não se preocupar com outros possíveis concorrentes aparecendo na região, ele afirma que não é qualquer um que sabe andar por lá. “Em alguns pontos, eles são orientados a tirar o cinto de segurança, colocar o cotovelo para fora da janela e fazer cara de mau. Tudo o que a gente aprendeu na quebrada”, disse ele à BBC.

Rua no bairro da Brasilândia (Jonathan dos Santos/Flickr)

Segundo os criadores, a Ubra já acumula 40 clientes fiéis. Um dos diferenciais do serviço é atender de madrugada, mesmo com os problemas de segurança noturna na região. Uma cliente chegou a combinar a ida e volta para uma balada por R$ 40. O preço, inclusive, muitas vezes é combinado e os motoristas não fazem questão de se prender a números exatos. No papel, a tarifa fixa é de R$ 2 por quilômetro rodado, contra R$ 1,80 do Uber.

Por essas opções mais flexíveis, Alvimar diz à BBC que também vê a Ubra como um trabalho social: “eu levo mulher em presídio, transporto deficiente físico e idoso para fazer consulta. Muitas vezes, cobro menos. Algumas, eu ainda espero para levar o cliente de volta sem cobrar o tempo parado”.

Questionado sobre a concorrente, o Uber disse à BBC que acha ótima a criação de novos serviços, pois criam competição e encorajam a melhora na qualidade. Por outro lado, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a Ubra precisa se cadastrar no Conselho Municipal de Uso do Viário (CMUV) antes de transportar passageiros.

A empresa não foi contra: eles afirmaram ter contratado um advogado para regularizar o serviço. “A Brasilândia tem 400 mil habitantes e eu tenho certeza que eles [prefeitura] não vão permitir que um trabalho social tão importante como esse seja encerrado”, conta Emerson à BBC.

Vetado do Uber, bairro da periferia de São Paulo cria alternativa ao aplicativo

via Tecnoblog

Publicado por Carlos Trentini

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